Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

DEMO, O DEMÔNIO (Conto)

Demo o Demônio
Autora: Juliane Margareth

Era uma sexta à noite e Sofia estava fazendo aniversário e chamou seus melhores amigos pra uma festa intima em sua casa, dois de seus amigos William e Roberto já tinham chegado e só faltava sua querida amiga Tâmara que estava no seu curso de inglês e ligou pra Sofia para avisar que iria levar um amigo do curso, mas Tâmara tinha acabado de conhecer o rapaz e a única coisa que Tâmara sabia é que todos chamavam ele de Demo.
Quando Tâmara chegou na casa de Sofia com seu amigo Demo, todos se assustaram pois Demo era muito estranho tinha a pele pálida como a de um defunto, tinha cabelos curtos e pretos e tinha um olhar penetrante .No meio da festa Tâmara resolve chamar seus amigos e o Demo para jogarem 7 minutos no céu, quando todos concordaram ele deram inicio ao jogo que começou com a Tâmara que escolheu logo de cara que Sofia ficasse com o Demo Sofia depois de pensar por alguns segundos concordou e foi para o banheiro que era o lugar mais perto da sala.
Enquanto ia se passando o tempo os amigos de Sofia aumentaram o som e começaram a conversar sobre o Demo e como ele era estranho, sombrio e que ele não era de aparência muito confiável e que eles não tinham gostados de que Tâmara tinha trago ele para a festa, quando foi dando o tempo de Sofia voltar do banheiro com Demo eles abaixaram o som novamente e sentaram pra esperar os dois saíram do banheiro, mais já tinha se passado 7 minutos e nada de Sofia e nem de Demo voltarem, os amigos de Sofia começaram a ficar preocupados com ele pois o banheiro estava muito silencioso, então William e Roberto pediram para que Tâmara fosse ver o que estava acontecendo no banheiro.
Quando Tâmara abriu a porta se deparou com uma cena horrível e gritou, William e Roberto que estavam na cozinha quando ouviram os gritos de Tâmara saíram correndo pra ver o que estava acontecendo quando também viram a cena que paralisou Tâmara, Sofia estava morta dentro da banheira coberta de água com eu sangue se diluindo- se e se misturando lentamente com a água com somente seus braços para o lado de fora da banheira com seus dedos decepados seus alhos arrancados e nua e no seu corpo todo arranhado e escrito a palavra Demônio em suas costas.Logo depois Tâmara tinha se lembrado que Demo não estava ali e então saiu correndo em direção ao telefone e ligou para a policia, enquanto Tâmara telefonava William e Roberto foram a procura de Demo dentro da casa e no quintal chegando a varando William e Roberto viram Demo lambendo suas mão todas cheia de sangue de Sofia então William chamou o Demo, mais quando Demo olhou para os dois com seu olhar penetrante e sua risada sarcástica ele se transformou- se pouco a pouco em Demônio com longas assas,William e Roberto assustados ficaram paralisados com o que acabaram de ver, e Demo com suas assas enormes voou e desapareceu pelo céu escuro.
Quando a policia chegou no local e começaram a fazer as perguntas e os amigos de Sofia começaram a falar que foi o Demônio quem tinha matado Sofia, os policiais não acreditaram e não tinha prova nem uma de quem teria matado Sofia.E ao decorrer das semanas Tâmara e seus dois amigos começaram a ter visão da Sofia os avisando sobre um novo amigo que eles tinham feito que se chamava Lúci, e que ele era o Demo só q com outro corpo e com outro nome, e que tinha voltado para matar eles, semanas depois que Tâmara e sues amigos pararam ter visões de Sofia, resolveram dar uma passeio na praia só os três.
Quando na estrada o carro bate em uma árvore e deixa William, Tâmara e Roberto inconscientes e com o vazamento da gasolina o carro acabou pegando fogo e Tâmara e seus amigos morreram carbonizados. E ao longe do carro na estrada estava Lúci que na verdade era Lúcifer conhecido pela Tâmara que apresentou a seus amigos o responsável pela morte da Sofia, Demo o Demônio que estava com o seu olhar penetrante e com sua risada sarcástica olhando o fim de Tâmara e sua amigos assim como fez com Sofia.

A CASA 2466 (Por Willian Oliveira)

Na zona norte de São Paulo, existe uma casa, onde ela se encontra havia um terreno, que hoje, foi dividido dando origem a lojas e outras casas, porem a casa nunca foi demolida. Para que entenda melhor lhes contarei sua história, uma história antiga, uma tragédia que houve antes mesmo de eu nascer.

Anos atrás quando minha mãe não devia ter mais de 14 ou 15 anos, naquela rua, naquela casa, morava uma família, constituída de cinco pessoas, o dono do terreno, sua esposa e seus três filhos sendo um deles ainda bebê.


Um dia (não sei lhes dizer qual absolutamente) o dono do terreno entra com uma arma em suas mãos, atravessa o portão, entra pela porta da sala e olha para sua mulher durante demorado tempo, levanta a arma e dispara, um tiro certeiro, as crianças choram assustadas, o pai vai a seu encontro e, sem exitar, atira nas duas, resta apenas o bebê que chora em seu berço, ele vai em sua direção e vê seu ultimo filho, o choro de agudo forte, a cara rosada de tanto chorar, ele puxa o gatilho levanta a arma me direção ao berço estabelecendo uma mira firma, seu olhar é frio, suas mãos não tremem, e antes do ultimo suspiro; ele dispara, agora só resta o silêncio, quebrado apenas pelo seu relógio carrilhão, ele olha em volta apreciando seu feito, da alguns passos e fica de frente para o relógio que, agora, desfere badaladas sinistras, pela ultima vez ele puxa o gatilho, como véu que se desloca ao vento ele encosta o cano da arma na fronte de sua cabeça, seus olhos frios fitam o nada, sua mão não treme diante do ato final de sua vida, ele dispara, seu corpo cai, e todos os cinco corpos perecem abandonados no chão.


Os empregados, da casa que não tinham permissão para entrar sem a presença de seus patrões, ao voltarem de sua folga estranharam a casa fechada e silenciosa. Imaginando que teriam viajado todos voltaram para casa, o único que fica é o caseiro que morava ao longo do terreno, e ia cuidar das plantas e do pomar atrás da casa.


Poucos meses depois, mesmo sem noticias de seus patrões, ele continuava cuidando da propriedade, vivendo de “bico” até que seus patrões voltassem. A noite se vê envolvido por uma sensação que jamais sentira antes, um sufoco terrível, como se fosse a soma de todos os medos que já sentira antes, ele acorda suado e tremulo, olha para os lados assustado, não a nada e nem ninguém, toma um copo de água e, quando finalmente se acalma, ele claramente escuta os berros da esposa e o choro das crianças, mas que estranho porque não escreveram avisando de sua volta, e porque a sua esposa berrava e as crianças choravam. Tudo bem não devia ser nada mais do que uma discussão e as crianças estavam assustadas, o caseiro voltou a dormir prometendo a si que os comprimentaria e iria deixá-los a par da situação.


De manhã cedo o caseiro tomou seu desjejum e foi ao encontro da família, mas, que esquisito, a casa estava exatamente como estava a meses, silenciosa, aparentemente vazia, com portas e janelas fechadas,enfim, parecia estar abandonada.

O caseiro chama pelo nome de seus patrões (havia um cheiro podre ao se aproximar da casa), bate na porta, ninguém atende (o cheiro parecia vir de dentro da casa), chamou e bateu varias e varias vezes, ninguém atende, será que havia sido apenas impressão sua? Não, apesar de sua idade, já com quase cinquenta anos, tinha absoluta certeza de que estava bem de suas faculdades mentais, não estava ficando louco, ou será que estava. Bem decidiu deixar tudo como estava, depois veria o que iria fazer a respeito, estava pensando em marcar uma consulta com um psicanalista, e o cheiro, algum animal deve ter sido morto e deixaram seu corpo nas redondezas , após cuidar das plantas e voltar de seu “serviço extra” ele procuraria o cadáver.

Decidido tudo o que iria fazer o caseiro se virou decidido a ir embora, desceu o primeiro degrau da escada, o segundo, o terceiro perto de encerar o lance de escadas seu coração disparou, um grito, um grito feminino, mas grave, tão grave que quase estourou seus tímpanos, tão forte que seria capaz de se fazer ouvir o mais enfermo dos surdos e afugentar o coração do mais corajoso dos homens. De onde vinha aquele grito, não era de longe, não, era de perto, muito perto, vinha de sua direita, não, não vinha de suas costa, sim vinha de..., de..., seu coração se espremeu no peito, seus pulmões não conseguiam, parecia que não queriam mais respirar, o grito, que já cessará, vinha de dentro da casa.

Depois de um momento frio, meio que por encanto suas pernas viraram e endireitaram seus pasos em direção a porta, estendeu o braço em direção a maçaneta e girou-a. Com um ruído leve a porta abriu, o ar que bateu em seu rosto continha aquele cheiro, agora mais forte, o mais profundo bafo da morte.

A casa estava um tanto escura empoeirada e mofada também, e aquele cheiro, esperou sua vista se acostumar a escuridão, agora sim podia distinguir melhor os moveis o espaço, e..., seus olhos se apertaram contra o crânio a fim de não ver mais aquilo, uma tormenta se iniciava em seu estomago, começou a sentir náuseas, regurgitou tudo que havia comido, se sentia sufocado, estava tonto, sua visão se escurecia, tinha certeza, iria morrer ali mesmo, mais uma vez ele olha aquela cena e cai sem saber de mais nada.


O caseiro se vê preço dentro da casa, cadê, cadê eles, ele jura que estavam ali, ele corre, tenta arrombar a porta , não consegue, ele clama por socorro, mas parece que ninguém escuta, por que esta tão escuro la fora? Já anoiteceu? Ele lança uma cadeira em direção a janela o vidro se quebra, ele quer sair, ele vai sair, mas, não, os caos ficam suspensos no ar, e com o mesmo som com se quebraram o vidro se refez;”Elias”, uma voz chamou atrás do caseiro, com medo ele se vira, sua mente não assimila, seus próprios olhos não acreditam em tão imagem ; os cinco de pé em posição de retrato de família, a esposa estava de pé a esquerda de seu marido, se lembrava daquilo, daquele vestido branco feito de cetim (o favorito dela) agora, manchado de sangue, ela o encarava com um único olho, pois metade de sua cabeça não existia mais, tudo que via era uma parcela oca jorrando sangue e restos de miolo que deveria ter sido seu cérebro, em seu colo ela devia estar segurando seu filho menor, pois só dava para ver algo semelhante a uma trouxa coberta por uma manta encharcada de sangue, a frente dos dois, os filhos mais velhos, ambos entre 14 e 15 anos, com uma ferida grave no peito, era bizarro tal cena, ele podia ver seus corações dilacerados batendo, o pai, apesar do terno sujo de sangue, é o único sem nenhuma ferida, pensava assim, até ele, o pai, olhar para a trouxa no colo de sua esposa e ele ver um imenso buraco na fronte de seu crânio. “Elias” disse o marido, agora, encarando-o, um olhar fora do normal até mesmo para quem esta morto, passava ao mesmo tempo angustia, medo, tristeza, temor, frieza, arrependimento e excitação, pelo que fez ou estava para fazer, “junte-se a nós Elias” dizia ele, o caseiro não tinha fôlego para falar, apenas acenou a cabeça negativamente; “você não entende” disse agora a esposa “não tem escolha, vai ter que ficar” seu medo ultrapassava todos os limites imagináveis, talvez todos que um ser humano possa suportar, “cuide de nós Elias, pegue nossa mão”, falaram os dois irmãos estendo suas mãos ensangüentadas,”não, não,não,não, não, não” gritava o caseiro contra a parede diante de tão macabra oferta,”todo aquele que ultrapassar e profanar este que é nosso tumulo, esta condenado a permanecer de corpo e alma, pois aqui habita aqueles que por um pecado foram amaldiçoados e não obtivemos perdão, por isso que quem entrar não será perdoado seja ele culpado ou não”, disseram-lhe os quatro, eles andavam em sua direção dizendo seu nome repetidas vezes, passos pequenos, sem pressa, o bebê começa a chorar, um choro atormentador, era alto, alto demais, tão insuportável que seus tímpanos doíam, começou a chorar, segurava os ouvidos quando de se agachou encostado na parede, balançando, com medo,”Elias,Elias,Elias, Elias...”, falavam os cinco, suave, não gritando, mas clamando, no instinto de recuar ele faz um leve corte no braço, ele sente sua aproximação, estão mais perto, quando sente uma mão tocar seu ombro, ele grita, abre os olhos, a luz do sol praticamente o cega, entra em pânico, “Calma”diz alguém, ele percebe, então, que esta de frente para a entrada de uma ambulância, devagar ele se acalma, ele olha ao seu redor, vê duas viaturas e duas ambulâncias , na porta da casa homens saem carregando sacos pretos, um em cada extremo e colocando-os na outra ambulância.

Elias estava tão chocado que só mais tarde veio perceber o corte em seu braço, ”teria sido um sonho” pensou ele com a maca pronta para ser posta na ambulância, enquanto parte ele olha pela janela, a janela da casa, ele olha ar o motorista que manobra na tentativa de tomar o caminho em direção ao hospital, uma vez mais ele olha para a janela, e fica aterrorizado, porque vê algo que não estava ali, a família com seus corpos feridos olhando em sua direção, e antes que a ambulância fassa a curva em direção ao seu destino, ele observa os dois irmãos acenando em sua despedida, aqueles que vivem para sempre na casa 2466.

VIAGEM ALUCINANTE (CONTO)

Por Michele Mcfadden


Estava no meu quarto ouvindo o novo cd do Westlife Face to Face, estava arrumando minhas malas p/ passar o fim de semana em Aguanil e Campo Belo, depois, ia ficar por lá, quando pensei em ligar p/ Marcela, o telefone tocou, era uma chamada internacional, até então eu ñ estava tão encafifada quanto eu fiquei depois da ligação, enfim, o cara falava um espanhol que eu custei entender, a única coisa que eu entendi bem foi p/ eu ligar a tv no canal 22:

“Cantor irlandês é seqüestrado por garota estranha quando saía de casa.” O cara começou a falar mais rápido do que já falava eu só escutei alguma coisa “Bryan”, comecei a perguntar desesperadamente por ele, o cara me disse p/ ir até Galway, pensei até em ir de avião, mas, ñ sabia como eu chegaria a Galway, se eu nem sabia como chegar até Dublin, quanto mais Galway. P/ ir p/ Irlanda, primeiro teria que ir p/ Londres, e de lá pegava mais um avião até a Irlanda. O cara disse p/ atravessar a fronteira de carro, mas como?Se eu nem sabia atravessar a fronteira do Brasil com a Argentina, quanto mais Brasil até Londres! Aff, o cara tava ficando louco, eu custei acreditar na história dele e na do jornal do canal 22, ñ estava entendendo mais nada, no jornal falava que era qualquer cantor irlandês e o cara no telefone dizia que era o ex-lifer Bryan. Mesmo ñ acreditando na história do cara, fui primeiro p/ Campo Belo pegar a Marcela, ela tinha que me acompanhar nessa viagem tinha certeza que íamos nos divertir muito. Contei toda a história p/ Marcela, ficamos um tempo em silêncio até que ela arregalou os olhos e me perguntou:

-Michele? Vc ta doida?

Olhei p/ ela e demorei p/ responder:

-Sei lá, mais Marcela... É o Bryan.

-Quem falô que é o Bryan?

-O cara.

-Mais quem é esse cara?

-Sei lá, na hora ñ me interessou saber.Mas quem será?

Pisei fundo no acelerador do meu Audi A6 3.8 Turbo, e quanto mais eu acelerava, mais eu tinha alucinações, a estrada era longa e escura, ñ havia nenhum carro além do meu, Marcela concentrada vendo o DVD do Westlife, e eu muito, mais muito preocupada com o Bryan, nem sabia se era ele mesmo, mas na hora, o que importava p/ mim?Eu queria tentar esquecer o Willian que consegue me derreter, queria fazer uma viajem p/ o exterior, conhecer gente nova, sair um pouco da rotina de morar numa casa sozinha. Enquanto dirigia, pensava no Westlife, será que eles estavam tão preocupados quanto eu? E o Kian que sempre foi o melhor amigo da Bryan?O que estaria pensando o Louis? Será que foi ele quem ligou? Ah sei lá, mas continuei dirigindo sempre via alguém no meio da estrada, em uma dessas vezes, pisei com tudo no freio e fui parar há alguns metros á frente, parei o carro e desci, olhei p/ trás e ñ vi ninguém.

-Marcela...

-O que foi Michele?_Marcela perguntou assustada.

-Vc viu alguém na estrada?_Perguntei entrando de novo no carro.

-Ñ, por que?

-Será que tem mais alguém na estrada além de nois?

-ñ Michele, vc ta me assustando.

-Duvido que vc esteja mais assustada que eu. Eu ñ to brincando Marcela, eu tenho certeza que vi o Bryan, ou seja, lá quem foi.

-Michele... Ñ tem ninguém.

Liguei o carro e continuei dirigindo, como em todo filme de terror, começou a escurecer e a chover forte a estrada deserta, p/ me assustar mais ainda, vi um morcego voando e vir em direção ao carro e pá! Parece que tinha entrado dentro do motor, sorte que o meu carro era blindado. Tive que descer do carro p/ ver o que tinha acontecido com aquele maldito morcego.

-O que aconteceu aí Michele?

-Sei lá Marcela, ñ faço a mínima idéia, parece que ñ tem nada aqui uai.

Dei mais uma analisada e encontrei o problema:

-Chit! Foi o maldito morcego que enroscou num cano aqui, acho que foi o do acelerador...Tem pedaços desse maldito por todo o motor.

-E agora o que nois vai fazê?_Marcela perguntou.

-Sei lá, pêra aí... Eu posso tentar tirar esse maldito daqui.

Peguei umas ferramentas que tinha no carro e depois de uma hora debaixo daquela chuva, consegui tirar o maldito dali, entrei no carro praticamente toda ensopada.

-Conhece a cidade de Galway Marcela?

-ñ.

-É p/ lá que nois vai.

-Aonde que é?

-Irlanda.

-IRLANDA._Marcela me perguntou com os olhos arregalados.

-É.

-Vc conhece Michele?

-Com certeza meu! Ha, ha, ha.

-Esse cara é duente meu!_Marcela completou.

-Esse cara é duentão meu!_Completei.-A morte era ou ñ sei se ainda é uma companheira constante em Galway, morriam bebês, crianças e pessoas mais velhas que passavam fome e as doenças se espalhavam rápido.

Marcela ficou mais assustada do que antes.

-O cara disse que acha que quem pode ter levado o Bryan foi uma velha bruxa chamada Quinn, mas ela morreu. Dizem que se vc fizer um pedido sobre os mortos consegue o que quiser, seu espírito condenado ao inferno vai subir hoje à noite e encontrar com o Diabo na floresta.

-Tá bom Michele... Chega._Marcela me interrompeu mais assustada ainda.

-Eu te contei do barulho que escutei no meu quarto ontem à noite?_Perguntei.

-Ñ!

-Já faz um tempo. Estava tarde, passando da meia-noite. Um barulho enorme no meu telhado. Assustei-me demais, pois pareciam passos. Fiquei quieta debaixo dos cobertores, mas a impressão que passava é de que estavam tirando as telhas. Continuei assustada debaixo dos cobertores, não tinha coragem nem mesmo de falar. Fiquei prestando atenção para ver se continuava o barulho. Parou um pouco, mas logo em seguida continuou. E era um barulho forte parecia mesmo alguém andando e mexendo no meu telhado.

-E o que vc fez?

-Nada! O que eu podia fazer? Continuei deitada, não seria lógico alguém tentar entrar por nossas telhas que são grandes, pesadas e bem pregadas na armação do telhado, tendo gente em casa. E assim fui eu ver o que tinha no telhado, era uma pipa enroscada nas telhas e com a pontinha na calha. Então ela batia a pontinha na calha e fazia um barulho e quando batia a outra ponta nas telhas era outro som. Assim, quando o vento batia mais forte ela fazia o barulho em seqüência e mais forte, o que parecia estar alguém andando no telhado. Quando o vento abrandava acalmava novamente e dava a impressão de que a pessoa havia parado.

Enquanto dirigia concentrada e me esforçando p/ enxergar alguma coisa debaixo daquela escuridão e daquela chuva, estava meio que tranqüila ouvindo Westlife, quando Marcela estava olhando na janela, de repente gritou:

-Michele... TEM ALGUMA COISA NA ESTRADA.

-Ñ estamos sozinhas Marcela._Respondi séria.

Marcela me olhou assustada.

-Como assim ñ estamos sozinhas Michele?

-Deus está com a gente.

-Ah. Vc me deu um susto agora.

-Ha, ha, ha, ha, vc ta se assustando á toa Marcela, tenta ficar calma, pensa no Kian, no Westlife, pense que se vc vier comigo até Galway eu faço de tudo p/ vc ficar com o Kian.

-Tô fora Michele, eu vou ficar em Londres.

-Mais e se o Kian estiver esperando nois em Galway? Afinal, ele é o melhor amigo do Bryan.

-Ha, ha, ha, ha, o Kian me esperando em Galway! Ha, ha, ha, que piada Michele.

-Quer que eu ligue no celular do Kian e pergunto onde que ele ta?

-Ha, ha, ha, duvido, faço pouco e ainda dou risada.

-Tá legal Marcela, vc duvidou, agora vc vai ver.

Peguei minha agenda e liguei pro Louis que provavelmente estaria com Kian, Nicky, Shane ou Mark, perguntei pelo Kian, Louis passou o celular p/ ele e eu perguntei onde ele estava, Kian respondeu que estava em Galway, a Marcela ficou com a cara lá embaixo, nunca pensou que eu estaria falando a verdade e nunca pensou que eu sabia que Kian estava em Galway nos esperando. Minutos depois, ouvimos o barulho de um sino tocar, mas... De onde teria vindo o barulho do sino? Ñ tinha nada na estrada além das árvores, pela primeira vez estava ficando assustada.

Finalmente depois de 22 horas, estávamos em Galway, chegamos rápido p/ uma viajem que demora dois dias de carro, o meu carro era turbo e ñ ninguém na estrada então, liguei o turbo. Quando chegamos em um hotel cinco estrelas chamado NIAS, deixei meu carro no estacionamento e descemos do carro, estava um frio de lascar, a Marcela estava toda encapotada e eu só com uma camiseta de manga curta e uma calça, os seguranças mal abriram a porta e eu já fui entrando tentando encontrar algum lifer ou até mesmo o Louis.

Quando fui pedir informação no balcão, dois seguranças levaram a Marcela e eu até uma salinha, um filé loiro e de óculos escuros, entrou na sala, mal se apresentou e a Marcela toda hora me cutucando p/ falar p/ ela que era aquele filé, enquanto o filé foi pegar a 007, virei p/ Marcela e respondi:

-É o Nicky Marcela, ñ reconheceu a voz dele ñ?

-O NICKY? Mas cadê o Kian?

-Eu vou perguntar, calma.

Até que Nicky chegou:

-Oh, sorry, I guess you know who I am._Perguntou p/ mim.

(oh desculpe, eu acho que vc sabe quem eu sou.).

-Oh yeah, Nicky Byrne nice to meet you, my name is Michele, and my friend Marcela.

(claro Nicky Byrne, é bom te conhecer, meu nome é Michele e essa é minha amiga Marcela).

-nice to meet you too.

(é um prazer conhecer vc tb)

-right, why are we here Nicky?

(certo, por que estamos aqui?).

-Because we need find Bryan, he’s gone, we don’t know anything.

(porque nós precisamos encontrar o Bryan, ele sumiu, nós ñ sabemos de nada.).

Kian entrou na sala, Marcela quase deu um infarto.

-But I know.

(mas eu sei.).

-Why you don’t tell for us Mr. Egan._Perguntei.

(Por que vc ñ nos conta?).

-We need to find an old witch called by Quinn.

(Nós preicisamos encontrar a velha bruxa chamada Quinn.).

-Which is the best way to get there? _Perguntei.

(Qual é o melhor caminho p/ chegar lá?).

-We need to get some horses._Nicky respondeu.

(nó precisamos pegar alguns cavalos.).

Foi isso que fizemos, Louis nos arrumou os melhores cavalos p/ irmos até a aldeia da velha Quinn, Nicky e eu galopávamos á frente enquanto Kian e Marcela vinham logo atrás, Nicky e eu conversávamos tranqüilamente, Marcela e Kian pareciam que estavam bem. Estávamos entrando na floresta e começou uma ventania pior do que o furacão Katrina, as nuvens se apressavam sobre nossas cabeças como se nos perseguissem, parei o cavalo que estava meio estranho, desci, fiquei um pouco mais assustada do que já estava.

-Nicky...

Ele tb parou o cavalo.

-What?

(O que?)

-Did you hear that? _Perguntei.

(Vc ouviu isso?)

-yeah, It goes to start to rain._Nicky respondeu.

Os raios caíam sobre as árvores e as derrubava o que tornava nossa visita á aldeia da velha Quinn mais difícil.

Meu cavalo se assustou com um trovão e saiu correndo, Nicky me ajudou á subir no cavalo dele p/ continuarmos, com outro trovão, as nuvens romperam e a chuva começou a cair. Uma névoa surgiu das montanhas verdejantes espalhando-se por nosso caminho. Tive vontade de abandonar a estrada e procurar abrigo, mas era o Bryan que estava em perigo, ñ estava nem rasgando se um raio ia cair na minha cabeça ou ñ, estava com vergonha e nervosismo, mas alguma coisa me dizia que era loucura continuar com aquela aventura, eu ñ tinha certeza se queria ver o cadáver da velha Quinn.

Nicky começou a contar algumas histórias sobre a bruxa e no demônio que ela se transformava:



-It had histories of a loving one that infidel revealed and that had the bones embedded in its garden, they say that in the winter nights, á midnight, it was possible to hear the howl of the wind through its thoracic box and creaking of teeth because of the cold.

(Havia histórias de um amante que se mostrou infiel e que teve os ossos enterrados em seu jardim, dizem que nas noites de inverno, á meia-noite, era possível ouvir o uivo do vento através de sua caixa torácica e o ranger dos dentes por causa do frio.)

Há alguns metros dali, estava a cabana da velha Quinn, era uma cabana simples, mas assustadora:

-Where are we Nicky?

(onde estamos?)

- In the hut of the Quinn witch.

(Na cabana da bruxa Quinn)

- She is it who is with Bryan?

(É ela que está com Bryan?)

-it must be.

(deve ser)

- Cursed witch.

(Bruxa maldita)

Olhei p/ trás e ñ vi nem o Kian e nem a Marcela:

-Where is Kian and Marcela, Nicky?

(Cade o Kian e a Marcela?)

- the servants of the witch must have catch they.

(os servos da bruxa deve ter pego eles.)

-Chit!

Quando chegamos até a cabana, havia pessoas sentadas na porta esperando que a bruxa conseguisse alguma poção p/ curar a doença.

- They say that if you to make an order on deceased obtain what to want, its convicted spirit to the hell goes to go up the night today and to find with the Devil in the forest. It is Nicky truth?

(Dizem que se vc fizer um pedido sobre os mortos consegue o que quiser, seu espírito condenado ao inferno vai subir hoje a noite e encontrar com o Diabo na floresta.É verdade Nicky?)

-yeah, if it will be with fear, if it grasps in me, because this witch goes to changed itself into the Banshee demon.

(se estiver com medo, se agarre em mim, porque essa bruxa vai se transformar no demônio Banshee.)

- Who is this demon?

(Quem é esse demônio?)

- he is a feminine demon of the death.

(é um demônio feminino da morte.)

- we go to enter in the hut, you have a cross?

(vamos entrar na cabana, vc tem uma cruz?)

-for what?

- To move away the demon while one of us we look for Bryan.

(Para afastar o demônio enquanto um de nós procura pelo Bryan.).

- I find that I have one.

(Acho que tenho uma)

Nicky e eu entramos na cabana, um vento repentino e agudo bateu sobre aquela cena trazendo uma camada pesada de escuridão sobre as pessoas cujos rostos foram envolvidos pela sombra, o ar ficou gelado e sombrio em um instante, as vozes das mulheres cessaram, juntos, Nicky e eu fizemos o sinal da cruz e olhamos em volta, ñ havia barulho, fora o uivo do vento e as batidas do meu coração. Até que se pôde ouvir, baixo e misterioso, um gemido maligno que me arrepiou a espinha, Nicky apertou forte minha mão, eu imediatamente me agarrei nele como ele mesmo falou que era p/ eu fazer se estive com medo, e eu ñ estava com medo, estava apavorada, o som começou como um nevoeiro obre a terra fria, depois subiu em espiral, ganhou altura e se transformou num grito agudo que secou as lágrimas assustadas dos presentes. O demônio se aproximou de nós, Nicky entrou na minha frente e disse:

- It enters in the hut and to try to find Bryan.

(entra na cabana e tentar encontrar Bryan.).

- No Nicky! I can leave you alone with this cursed!

(Nicky! Ñ posso te deixar sozinho com essa maldita!).

- Clearly that it can! You need to find Bryan.

(Claro que pode! Você precisa encontrar Bryan).

O gemido se tornou um grito, o vento estava mais forte agora, e as mulheres se dispersaram com as chicotadas do vento frenético, a fogueira lançou uma chuva de faíscas como se fosse um cometa. Entrei na cabana correndo, dei de cara com o demônio Banshee, meu sangue estava tão frio que minhas articulações doíam enquanto minhas unhas ficavam roxas de frio, o demônio fez a cabana pegar fogo e fez cair um dos portais em mim, caí no chão e tentei tirar o portal de cima de mim, ñ conseguia reunir forças p/ gritar pelo Nicky p/ me ajudar, ñ sei como consegui, mas me levantei, entrava em todos os cômodos da casa procurando o Bryan, quando finalmente o achei, Bryan estava caído no chão, acho desacordado por causa da fumaça, tentei acordá-lo, mas era inútil:

- Nicky! I found Bryan!

(Nicky! Encontrei o Bryan!).

Saí da cabana gritando pelo Nicky, mas o fogo ñ me deixava vê-lo, coloquei o Bryan nas minhas costas e atravessei o fogo, vi que Nicky ainda estava lá, pasmo, parecia que estava hipnotizado, vi que ele ñ conseguia se mover e nem falar, ela deu mais um passo em nossa direção, Nicky sentiu controle sobre as pernas e correu p/ trás e fez um sinal da cruz, ela caminhou p/ mais perto, Nicky me levantou do chão, pois eu caí de tanto medo que senti, estava muito apavorada, nunca senti tanto medo em minha vida quanto naquela hora, Nicky e eu corremos em direção á árvore que Nicky tinha amarrado o cavalo. O fogo ardia transformado em uma montanha de chamas que rugiam direto para os céus atravessando o nevoeiro e a luz da lua, até que estendeu p/ além do campo de visão, imaginei que era possível ver as chamas de Dublin, o fogo era como uma cauda de um cometa, Nicky tentou montar no cavalo, mas o maldito fugiu:

- Cursed horse! We go to have that to come back to Galway on foot._Disse Nicky.

(Vamos ter que voltar á Galway a pé)

-Nicky why Bryan does not wake up?

(Por que Bryan não acorda?).

- It must have sucked smoke._Nicky me respondeu.

(Deve ter sugado fumaça)

-What we do now? The way in return for Galway is long if we will be on foot, we need to find Kian and Marcela._perguntei.

(O que vamos fazer agora? O caminho de volta pra Galway é longo se formos a pé, precisamos encontrar o Kian e a Marcela.).

- There’s not Kian´s horse?_perguntei.

-yeah, where he is?_respondeu Nicky.

-I don’t know.

-Look! It’s him.

-Where Nicky?

- I swear that saw there the countenance of Kian passing._Nicky disse assustado.

(Eu juro que ví o vulto do Kian passando ali.).

-Are you crazy Nicky?

- I find that I am having hallucinations._Nicky afirmou.

(Acho que estou tendo alucinações)

Começamos á andar pela floresta, Nicky ñ tinha se enganado e nem estava ficando louco, Kian e Marcela estavam sentados debaixo de uma árvore.

- It looks at! They had found Bryan! _Kian gritou.

(Olha! acharam o Bryan!!!)

- How we will make now? We only have two horses, from the Michele it ran away, mine it died burnt (it was horrible) and had remained two, mine and of Kian._contou Nicky.

(Como faremos agora? Só temos dois cavalos, o da Michele fugiu, o meu morreu queimado (foi horrível) e sobraram dois, o meu e do Kian).

-Bryan doesn’t wake up. I am being worried._Disse.

(estou ficando preocupada)

-Kiss him.

- It goes to see ate some thing and slept and alone he wakes up with a kiss._Disse Kian.

(Vai ver ele comeu alguma coisa e dormiu e só acorda com um beijo.).

-shout up Kian!

- We must come back to Galway, Louis must be in waiting there and Mark and Shane must be worried._disse.

(Devemos voltar a Galway, Louis deve estar nos esperando lá e Mark e Shane devem estar preocupados.).

- But we will take two days to arrive until Galway._Nicky respondeu.

(mas levaremos dois dias para chegar até Galway.).

- How we will leave this forest? _perguntei.

-I have no idea._Kian respondeu.

- They look at, it has footprints of blood for all part, and how we go to know which the certain way is? _Nicky perguntou.

(Olhem, há pegadas de sangue por toda parte, como vamos saber qual é o caminho certo?).

- Try to wake up Bryan again._Disse o Kian.

-Bryan, please, wake up, I love you more than everything in the world.

Dei um beijo nele como Nicky sugeriu, e deu certo, Bryan acordou assustado:

-Where am I?

-Bryan!

-Who are you?

- This is the fanatic fan that accepted the challenge to come to search you here in this terrible village, it left car of Brazil there and came running for Galway in the same day. You it had to reward it for having saved its life, Bryan._contou Nicky.

(Essa é a fã fanática que aceitou o desafio de vir te buscar aqui em nessa aldeia terrível, saiu de carro lá do Brasil e veio correndo para Galway no mesmo dia. Você devia recompensá-la por ter salvado sua vida, Bryan.).

-I am Michele. Nice to meet you Bryan.

- It is a pleasure knows it._Bryan respondeu beijando minha mão.

Nos levantamos e começamos a seguir as pegadas.

- What we will make to meet some creature? We do not have nor a knife._Bryan perguntou.

(O que faremos se encontrarmos alguma criatura? Não temos nem uma faca.).

- I have one, IT LOOKS AT the KNIFE! _Disse o Nicky.

Seguimos as pegadas mais fortes e finalmente depois de dois dias caminhando, chegamos a Galway, lá, Louis, Mark e Shane nos esperavam, enquanto conversavam, Marcela me chamou num canto e me cobrou uma promessa que eu tinha feito a ela:

-E a promessa que vc me fez Michele?

-Que promessa Marcela? Tá doida?

-Vc ia convencer o Kian a ficar comigo.

-Ah tá, eu vou falar com ele._respondi.

- Kian... I know that he is not of my account but... you have girlfriend?

-No, why?

- Can I tell you something? _Kian me perguntou.

-Of course._Respondi.

-Bryan wants be your boyfriend, he told me._Kian desabafou de uma vez só.

-And Marcela wants be your girlfriend._revelei.

- What it says me? _Kian me perguntou.

-yes, and you Kian?

-yes. Go read! _Disse.

E assim foi feito, Nicky ficou meio assim… pois achava que ele estava gostando de mim, mas, a aventura em Galway ainda ñ acabou, continua na parte 2 mais uma viajem mais alucinante ainda do que essa.

O SER DA NOITE (Conto) João Paulo B.

O Ser da noite.


João Paulo B.


Este relato que vou lhes fazer aconteceu supostamente com meu avô, que sempre jurou pela veracidade do acontecido. Meu avô na época era eletricista da empresa de energia elétrica da cidade e trabalhava no turno da noite.

Já passava das onze da noite e a madrugada se adentrava profunda, quieta, somente o som do silêncio dominava, quando meu avô recebeu um chamado no rádio para atender uma ocorrência na área urbana da cidade, prontamente ele foi checar o problema, passado alguns minutos descobriu que o defeito na verdade era a alguns quilômetros dali, já na área rural, como já estava ali naquela hora resolveu ir adiante e resolver o problema.

Pronto, estava ele no local do problema junto de mais dois eletricista em fase de experiência, desceram as escadas da caminhonete, pegaram as lanternas e todos os equipamentos necessários, a trilha era um pouco longa mato adentro, até ai tudo bem, seguiram proseando quando se depararam com um senhor que morava nas imediações, pararam para cumprimenta-lo e ver se descobriam algumas informações como trafo queimado e etc. Ali nada descobriram exceto avisos sobre o perigo que corriam sozinhos e desarmados naquela mata e sem armas, mas como me lembro do meu avô, sua reação no momento não me espanta, ele começou a rir na cara do senhor, pois, não acreditava em nada que não pudesse ver ou tinha visto.

Andaram mais meia hora até que encontraram o problema, era uma bananeira que causou um curto em uma das fases da alta tensão, fizeram a manutenção rapidamente e preparavan-se para voltar quando viram um enorme vulto entre as bananeiras, os três ficaram paralisados de medo, mesmo assim gritaram para ver quem estava ali à uma hora dessas, mas não obtiveram resposta, prontamente um deles se lembrou dos avisos do velho e o medo passou a reinar entre todos, mas não podiam ficar ali parados eles pegaram as lanternas e se muniram de canivetes prontos para voltar, mas do nada surgiram gritos próximos do local onde estavam, sem pensar eles correram na direção dos gritos(de mulher) chegando em uma casa velha feita de madeira se depararam com uma cena meio assustadora.

Naquele lugar o cheiro de sangue era forte, e muitos animais mortos como galinhas, bodes e cabras, eles acalmaram a mulher jovem de uns trinta anos que estava na janela chorando, pois seu filho mais velhos havia pegado a espingarda e corrido na direção do animal que fizera aquela desgraça no seu criadouro. Os três rapidamente pensaram na hipótese de ser um lobisomem bem como o velho senhor contara, meu avô sem pensar muito pediu para a mulher da casa se ela tinha facões ou uma espingarda para emprestar assim eles poderiam ir atrás do filho que demorava a chegar, ela entrou e voltou com uma espingarda, dois revólveres 22 e uma garrucha velha mais ainda funcionando bem, na hora meu avô pegou a espingarda e um revolver e foi seguindo as pegadas do rapaz e deixou os outros dois eletricistas no local para guardar a mulher, meu avô andou quase uma hora, e só parou, pois escutou muitos gritos e pensou ter vindo da casa, ele correu o mais que pode para chegar a tempo. Mas era tarde quando ele chegou no local já era tarde, o choque foi muito grande, a mulher estava toda baleada na frente de sua casa, mas ainda viva e os dois eletricistas repletos de sangue, questionados sobre o ocorrido eles contaram que após meu avô se afastar alguns metros a mulher começou a ficar ofegante e estranha como se pressentisse algo pior, eles ficaram atentos a tudo quando em um piscar de olhos surgiu da trilha uma forma monstruosa de lobo, mas como estava muito escuro não puderam ver realmente se era um lobo ou um homem, mesmo assim abriram fogo até que o ser caiu e ficou imóvel, depois disso a mulher saiu da casa a fim de ver o que ou quem era que ali estava e que fazia tantas desgraças na vida de todos os moradores da região, enquanto a mulher checava o ser os dois foram recarregar as armas, nesse momento o bicho ou criatura agarrou a mulher na altura do rosto e os eletricistas voltaram a atirar e também acertaram a mulher, mas a criatura pulou por cima do galinheiro e Embrenhou-se no mato.

Meu avô ficou aterrorizado com o relato, instantes depois chegou o filho da mulher vindo do outro lado da casa e desesperado, eles socorreram a mulher e chamaram a policia pelo radio da caminhonete, contaram a mesma coisa que estou contando aqui para vocês, porém só arrancaram gargalhadas do delegado e dos investigadores que alegaram ser um ladrão que sempre ataca naquela região e come as galinhas e chupa p sangue dos bodes e cabras.

Mesmo assim passado algum meses meu avô e os dois rapazes voltaram ao local e foram conversar com a mulher e os vizinhos para realmente saber o que ocorreu aquele dia, eles passaram horas conversando com os moradores da região e todos dizem a mesma coisa, dizem que existe algo demoníaco ali, mas que esse bicho não ataca na luz e como aquele dia havia ocorrido uma falha na rede elétrica todas as casa estavam sem luz e a mercê do animal, verdade ou mentira, a conclusão que eles chegaram é que realmente existe alguma coisa que assusta os moradores daquela região e que todos acreditam nisso da mesma forma em que acreditam em Deus.


Meu avô sempre me contava esse fato, eu mesmo já fui visitar aquele lugar, porém, nada pude constatar, me restando apenas acreditar.

A ENTIDADE DAS SOMBRAS (Conto) - Ivan M.

A ENTIDADE DAS SOMBRAS



Ivan M.





Por volta de 1799 a opulenta cidade de Glasgow na Escócia vivia agitada devido ao desaparecimento de várias pessoas, isso ocorria geralmente nas matas próximas ao castelo do senhor Walter Mac Land. Era uma região isolada da cidade, a propriedade do Sr. Mac Land fazia divisa somente com uma extensa mata local e mais adiante a algumas fazendas. O castelo foi construído estrategicamente naquele lugar: à frente era uma planície gramada que permitia avistá-lo de longe, atrás a densa e imponente mata que mais parecia uma muralha. O certo é que ninguém se aventurava naquelas redondezas, mesmo porque a estrada que levava ao castelo não servia de acesso a nenhum outro lugar. O Sr. Mac Land quase nunca saía de sua propriedade, ele era um homem alto, de cabelos grisalhos, barba longa, vestes sempre escuras compostas de capa e turbante. Os criados que serviam no castelo eram oriundos da Índia e somente um dominava o idioma local. Todo esse clima de mistério servia para fertilizar a imaginação do povo daquela região acerca daquele incógnito homem, o certo é que ele fazia jus a rumores esdrúxulos. Somente uma pessoa naquela cidade tinha acesso ao castelo, a senhora Lisa Matrew, que, uma vez por semana, levava hortaliças e ervas raras ao castelo e recebia um generoso pagamento pelo serviço prestado. Lis -como era conhecida- era viúva, seu marido havia morrido a dezesseis anos acometido por uma forte gripe, deixando-a grávida de seu único filho, que recebeu o nome do pai: Icabow Vangarret. Lis criou o filho sozinha e quando a situação financeira ficou ainda mais difícil, chegando a ponto de faltar alimentos, um criado do Sr. Mac Land a procurou com intuito de comprar algumas ervas que até então estavam sendo encontradas somente na propriedade da recém viúva - para sorte dela - começando assim o laço profissional. Ás vezes o filho a acompanhava nas entregas, embora ela não gostasse muito, pois toda vez que cruzava os portões do castelo tinha uma péssima sensação, chegando a sentir náuseas e até mesmo sudorese.

Mac Land já havia morado em vários países, era conhecedor de muitas culturas, inclusive de ciências ocultas, magias, encantamentos e alquimia na qual passou a produzir ouro, a fonte de sua imensa fortuna. Seus criados na verdade eram seus seguidores, sabiam o que ele fazia e o respeitavam pelo nível de seu conhecimento. Nos últimos anos o bruxo havia se aplicado em invocar entidades sobrenaturais para seus serviços, geralmente maléficas, e dentre elas a deusa pagã Sopedra, ele a adorava. Segundo a lenda somente um bruxo muito poderoso poderia invocá-la, tinha que conhecer toda sorte de feitiços e contra-feitiços, oferecer sacrifícios humano na primeira sexta-feira do ano. As vítimas geralmente eram atraídas pela beleza do castelo e pela curiosidade, eram atacadas quando estavam sozinhas. No afã de alcançar a suposta deusa Mac Land havia excedido nos sacrifícios e isso o tornou mais descuidado, até o dia em que mandou capturar um jovem camponês durante o dia, era quinta-feira e até aquele momento ainda não havia nenhuma vítima para seu ritual macabro. O que eles não repararam é que um amigo da jovem vítima o esperava escondido bem antes do castelo, presenciando assim o seqüestro do camponês. Imediatamente o rapaz disparou a correr em direção a cidade e quando chegou - quase desmaiando de cansaço e pavor - se pôs a gritar descontroladamente o que tinha presenciado. Uma voz no meio da multidão se ergueu e disse:

- Já chega! Vamos por um basta nessa história! Essa é a confirmação de nossas suspeitas! Não podemos mais deixar esse monstro agir, vamos invadir seu castelo e queimá-lo vivo, é o que merece os bruxos!

A multidão se armando de foices, facões, inúmeras tochas de fogo, marcharam em direção ao castelo profano. Como Lis não sabia do que estava acontecendo naquele dia, por morar longe do centro da cidade, estava com o filho no castelo para entregar as provisões, quando ouviu o barulho da multidão que se aproximava. Imediatamente os criados trancaram os portões do castelo e avisaram ao seu mestre o que estava acontecendo. O bruxo vendo a turba quase colocando o portão abaixo desesperadamente tentou invocar Sopedra, mesmo sabendo que se algo desse errado iria pagar com a própria vida. Mexendo então uma poção, chamou pelo nome sujo de Sopedra, uma fumaça densa e lenta começou a escorrer do caldeirão, foi se formando e ficando ereta e dentre ela apareceu o inimaginável: uma figura feminina nua de corpo tão belo como já mais havia se visto, o cabelo era grande e loiro ia até abaixo dos largos quadris, quanto ao rosto era sem feição. A criatura então perguntou ao mago:

- Por que ousa me invocar excremento da terra?

- Ó Sopedra, há anos lhe sirvo com oferendas e sacrifícios, agora preciso de sua ajuda.

- O que queres de mim, servo?

- Essa turba quer me destruir, me salva desses inúteis!

- Sim eu o atenderei, mas em troca quero um presente digno, novo.

Impiedosamente Mac Land arranca Icabow dos braços da mãe e o jogo em direção a entidade, que o segura com firmeza e põe a face colada a do pobre moço, ipnotizando-o diz: seu corpo e sua alma não mais o pertence, agora és meu! E desaparece juntamente com o rapaz. Minutos após, um dos servos do feiticeiro diz:

-Mestre os portões já não agüentam mais, é o nosso fim! Vamos matar também essa tola, quem sabe assim teremos uma resposta imediata? Nesse momento uma névoa preta se ergue do chão e agora uma figura semi-humana surge e diz a Mac Land:

- Feiticeiro, sua idolatrada me enviou, agora diz o que queres.

- Dizime toda essa multidão, não poupe ninguém.

Das costas da criatura saiu um par de asas marrom com pontas tão afiadas como espadas, se transformando por completo numa criatura abominável com garras de quase setenta centímetros cada e atacou a multidão. Mac Land se delicia com a carnificina e diz a seus servos:

- Empurrem essa mulher na multidão para que ela também seja devorada! Sendo a ordem obedecida de imediato.

A multidão não teve a mínima chance de escapar do seu opressor. O espetáculo de horror é rápido: gritos, corpos sendo rasgados, sangue maculando as paredes do castelo, pedaços de carne e ossos sendo jogados para o auto... Resta somente uma mulher chorando aterrorizada. A criatura para em frente à mulher olhando-a por quase um segundo e voa de volta para o castelo, posiciona-se em frente ao bruxo e diz:

- Foi sua vontade saciada? Não me incomodes mais.

- Seu idiota! Eu mandei que destruísse a todos e você deixou aquela mulher viva? Interpela o feiticeiro. A criatura cheia de ira responde a Mac Land:

- E você acha que eu mataria minha própria mãe?

Com fúria a criatura devora Mac Land e seus criados, depois desaparece em meio às sombras deixando para trás seu rastro nojento de destruição.


Fim

ESPADA, MAGIA, SEDUÇÃO (CONTO) - Rafael "Iron" Olhaberriet

Espada, Magia e Traição

Rafael “Iron” Olhaberriet.

Nos descampados do norte no Reino da fronteira, entre as brumas surge um homem, montado á cavalo e de espada em punho, o clima frio o obriga a ostentar uma capa feita da pele de um urso negro, um vento gélido sopra naquela região e faz o rosto do nórdico ser açoitado com a dourada cabeleira, em uma das mãos traz a lâmina tradicional do povo Hiboriano1, larga, pesada, e quase do tamanho de um homem, na outra mão tem o controle das rédeas de sua imponente montaria e as amarras de uma preciosa mercadoria, vidas humanas. O selvagem aesir2 puxa por uma grossa corda sua valiosa carga, são homens, mas não como ele, são magros e fracos, de terras civilizadas do sul. Seu destino é a região montanhosa do reino, lá ele venderá seus cativos e quem sabe ganhe uma boa quantia desta vez, já que traz um feiticeiro que tem contas á acertar com Adamus, um mago que reside na vila de Lucerthan, já o outro é apenas um ladrão de estrada que veio como bônus.

Vamos negociar nobre amigo, você não precisa me entregar, podemos fazer fortuna juntos como um bando o que acha? Meu cérebro e seus músculos, e se o ladrão quiser, pode servir como vassalo. Fala o feiticeiro estígio3, esguio como uma serpente.

Com os dentes á mostra o bárbaro responde:

Ha! Você não está em posição de negociar bruxo! Além do mais só estou trabalhando com malditos feiticeiros de sua laia por causa da quantia que me foi prometida, e é melhor calar essa sua boca fedorenta antes que eu te amordace, ou melhor, é isso que vou fazer agora mesmo!

O jovem aesir sabe que terríveis maldições de morte poderiam ser proferidas pela boca do mago, mas não era essa sua única preocupação, a região onde passavam era conhecida por ser assombrada e patrulhada por criaturas tão horrendas que pareciam ter saído de pesadelos.

Bom, agora que você calou esse charlatão que tal conversarmos sobre minha parte nisso tudo? Pergunta o magro ladrão de estrada zamoriano4.

Você sabe, de alguma maneira eu te ajudei a pegar o mago!

Estar assaltando ele no momento em que eu o capturei não quer dizer que você me ajudou larápio! Responde com um leve sorriso o jovem nórdico.

O frustrado assaltante baixa a cabeça e indaga-se como se deixou pegar por um brutamontes lerdo como esse, logo lembra-se que a pancada em sua cabeça foi tão forte que ele não teve muitas chances de correr nem de ficar em pé.

Enquanto isso a sombra noturna caía sobre o vale, os deuses da noite jogavam seu véu negro sobre o sol, o mercenário de coração gelado como o vento que batia em seu rosto preocupava-se mais em prestar atenção nos vultos que os seguiam á horas do que com as asneiras do magricelo Cyrus. Os cativos e seu algoz encontravam-se em um descampado sem muitas opções de abrigo para passar á noite, além da grama como cama e o céu nublado como teto.

Mesmo mergulhado em seus pensamentos, o zamoriano continuava com seus sentidos bem atentos e percebeu a presença de outros viajantes, que estavam mal intencionados, e iniciava uma série de movimentos para se livrar das suas amarras, o feiticeiro atento aos movimentos do gatuno só rezava para que depois que conseguisse se soltar, o ladrão também o ajudasse a fugir.

No momento em que conseguiu se soltar das cordas, Cyrus foi surpreendido pelo bote da criatura que os seguia, mas com um som abafado e sem proferir nenhum gemido se quer, a criatura cai ao chão, decapitada, o jovem aesir joga uma adaga e grita ao aterrorizado zamoriano:

Lute por sua vida e eu pensarei no caso de sua liberdade!

Não precisa mandar! Responde Cyrus.

Nesse momento impera a carnificina no vale, dezenas de criaturas iguais á que jaz decapitada no campo surgem na escuridão, Eldgrimm faz uma colheita de braços, pernas e cabeças, já o ladrão ainda amarrado á Neser pela cintura, faz golpes precisos, bem colocados e sem muita sujeira, mas que causam estragos quase tão devastadores quanto a desajeitada lâmina nórdica....quase. Ao feiticeiro amordaçado e proibido de usar suas artes negras contra as criaturas, só resta a sorte de não ser atingido pelas clavas dos oponentes.

No fim do combate só restam três homens em pé e um agonizante integrante do estranho grupo, uma disforme e assustadora semelhança entre homem e macaco, um elo perdido? Ou apenas uma raça degenerada por sua corrupção? Perguntam-se os vitoriosos. Isso nunca esses três sobreviventes saberão, pois o último dos estranhos seres morre em grande sofrimento, vislumbrando suas entranhas e seu sangue jorrando aos pés de seus conquistadores.

Viram? Formamos um grupo excelente! Fala com orgulho o feiticeiro que acabara de se soltar enquanto os outros dois rapazes examinavam as criaturas.

Como se soltou nesse caos todo? Pergunta Cyrus.

Suas artes furtivas não me são tão desconhecidas batedor de carteiras. Neser responde com superioridade.

Vocês dois ai! Não pensem que se livraram de mim. Grita o jovem Eldgrimm.

Bom você disse que eu estaria livre se sobrevivesse! Reclama Cyrus.

Eu disse que pensaria no caso, e cheguei a conclusão de que você é perigoso demais pra ficar solto por ai!

Nesse momento a discussão é interrompida pelo som tenebroso de um uivo, não o uivo de um simples lobo, mas uma mistura de fala primitiva com o agouro de um demônio, que causa calafrios á todos que testemunham sua sonoridade horripilante.

Está vindo do Oeste! Prontamente percebe Cyrus.

Sim é verdade, vamos rumar para o leste, tentar alcançar a fronteira com a Britûnia e deixar esta terra maldita. Sugere o feiticeiro, enquanto começa sua caminhada.

Um momento ai bruxo! Você vai por onde eu quiser! Ou prefere morrer aqui mesmo?! O aesir chama a atenção de Neser.

Eu sei de algumas ruínas não muito longe, poderemos passar a noite lá, e depois continuaremos a viajem até Lucerthan. Conclui o bárbaro.

Ruínas você disse? Humm interessante.... Sorri o ladrão.

Os três homens continuam a caminhada através do descampado, uma leve garoa os atinge durante o percurso traçado por Eldgrimm, até alcançarem um pequeno e escuro bosque que esconde as ruínas de um castelo. O grupo chega até o local sem maiores problemas além do frio e a chuva que começa a ficar forte.

Ao avistarem as ruínas percebem que apenas uma das torres do majestoso castelo continua em pé, onde existia o portão, agora somente há escombros, a antiga muralha tombou á muitos anos. Logo na entrada já pode ser percebido o estado da ruína, o salão principal está tomado pela vegetação e o bosque que uma vez rodeava o castelo, agora o engole em suas entranhas verdes, poucas peças da mobília ainda podem ser aproveitadas como camas ou assentos, apenas duas das oito portas que podem ser vistas no salão circular, ainda tem passagem, todas as outras foram bloqueadas pelas pedras do teto que cederam, a chuva continua caindo do lado de fora, o que não é muito diferente no interior da construção.

Você tem certeza que esta pocilga é segura? Pergunta impacientemente o mago.

Segura ou não, é aqui que passaremos á noite seu frouxo! Se não gostou, eu amarro você lá fora com os malditos homens-macacos! Responde com aspereza Eldgrimm.

Bom já que a situação me impossibilita de fugir de você grandão, eu vou procurar algum lugar pra dormir, a caminhada e o inesperado combate me deixaram exausto. Dissimula o esperto zamoriano.

Faça o que quiser! Responde o bárbaro.

Eldgrimm ajeita-se sobre um antigo divã com toda a tranqüilidade, pois sabe bem que nenhum dos dois sujeitos tentará escapar através dessas terras malditas até amanhecer.

Neser encontra algumas cadeiras que juntas poderiam agüentar seu corpo magro.

Enquanto isso, Cyrus dirige-se até uma das portas que ainda resistem ao cruel efeito do tempo. Ao passar pela porta ele encontra-se em um corredor de aproximadamente 8 metros de comprimento, nas paredes ainda é possível encontrar alguns quadros antigos, mas em péssimo estado, no final do corredor existe uma porta, mas está selada, na parede direita o ladrão percebe um buraco, grande o bastante para um homem passar rastejando, ele se aproxima e acende uma tocha que fez com trapos e uma pata de cadeira. O rapaz abaixa-se e atravessa o buraco, existe uma outra sala, ele percebe que se trata de um quarto, está escuro e frio no local e a chuva encontra sua entrada através do decadente teto, as janelas estão pregadas, ele encontra algumas jóias antigas na gaveta de um criado mudo e um candelabro de prata em cima do mesmo, depois dirige-se até a porta, ela está destrancada, sua maçaneta quase é arrancada quando ele faz força para abri-la, e sai em uma escadaria, não é possível subir, pois a passagem está bloqueada pelos escombros do teto que já não existe mais, Cyrus sente a chuva gelada em seu rosto enquanto desce a escadaria em espiral, provavelmente o caminho para uma masmorra. Seu caminhar é cauteloso como o de um gato, suas roupas de couro especialmente preparadas, auxiliam o amortecimento de seus passos.

No final da escadaria ele chega em um corredor cheio de celas, o odor da morte o cerca, muitos ossos humanos espalhados pelo chão, como se um massacre tivesse ocorrido ali em eras imemoráveis, mas não há sinal de armas ou armaduras junto ás ossadas dos vencidos, nesse momento o zamoriano ouve gemidos vindos de uma das celas, cautelosamente ele se aproxima e espia o nefasto ritual, uma criatura semelhante ás que lhe atacaram no vale está com o corpo de uma jovem nua, ele não parece estar á devorando, mas está em cima do cadáver, como se estivesse copulando.

Necrofilia! Pensa o aterrorizado rapaz.

Ele fica tempo o bastante para presenciar o momento em que a criatura começa a devorar a carne fria da garota de cabelos ruivos. Não acreditando no que vê, o jovem sai correndo pelo corredor em direção ás escadas, sentindo como se a criatura o estivesse seguindo, quando chega no quarto e tenta passar pela fissura na parede, suas pernas são puxadas de volta no momento em que seu corpo já estava saindo do outro lado, gritando desesperado por ajuda, Cyrus sabe que seu fim será cruel, quando se vira e vislumbra a criatura horrenda que o agarra ele escuta uma voz ecoada vindo de trás da parede do corredor, nesse momento as pedras da antiga parede são arremessadas contra a criatura e a luz da tocha de Neser atinge o quarto, um flash prateado passa pelo meio da besta, cortando-a em dois. O zamoriano que esperava pela morte certa, agora assiste ao espetáculo de sangue que jorra das duas metades do monstro jogado ao chão, ele olha para trás e vê o mago parado estendendo a mão para ajudá-lo á se levantar e em sua frente está Eldgrimm de espada em punho e banhada em sangue.

Barbas de Ymir5!!! Quem é esse seu amigo? Pergunta energicamente o aesir.

Mais uma besta! Estava praticando blasfêmias neste local, á um bom tempo! Pela conservação do cadáver da garota provavelmente não devemos estar longe da cidade onde está nos levando. Responde o atordoado rapaz.

De que garota você está falando homem?! Novamente se expressa o bárbaro.

Longa história. Cyrus corta o assunto.

E como vocês derrubaram essa parede?

Bom...Esses poucos momentos de descanso me garantiram algumas fagulhas de poder mágico para usar esse tipo de feitiço. Explica orgulhosamente o feiticeiro da negra Stygia.

Muito bem, voltem para o salão! Dessa vez todos vão ficar juntos, não falta muito para amanhecer, e quero partir assim que isso acontecer. Ordena Eldgrimm.

A sofrida comitiva retorna para o salão que estão usando como abrigo e passam mais algumas horas lá. Eldgrimm se manteve vigilante durante esse tempo, sabe que não seria bom para os negócios se o estígio Neser morresse, e pior ainda se Cyrus os matasse enquanto dormiam.

A lua cheia elevava-se resplandecente como uma pérola no incomensurável mar negro do céu noturno, já não se via mais nuvens de chuva, e sua luz refletia perpétua sobre o aço dos peitorais usados por um pequeno destacamento da guarda Zamoriana.

Aproximando-se do acampamento vinha um batedor, á cavalo, seu rosto denunciava sua aflição e medo.

Tenente Harphagus! Tenente Harphagus! Encontrei vários cadáveres após aquela colina á Nordeste, não posso lhe dizer o que são, mas provavelmente foram mortos pela espada. Grita o atemorizado soldado.

De uma tenda montada no centro do pequeno acampamento, surge um homem alto e de aparência poderosa usando um peitoral de aço, um elmo espiralado e de Cimitarra6 em punho, sua pele de tom pardo e sua barba e cabelos negros revelavam sua natureza zamoriana.

Quantos você viu soldado? Friamente questiona Harphagus.

Eram 10 ou mais senhor! Criaturas bestiais, mais demônios que homens.

Aquele ladrãozinho de meia tigela não poderia ter feito isso sozinho, o nórdico assassino deve ter fugido com ele. Homens! Acabou o descanso, esses malditos criminosos vão ter o que merecem esta noite! Euforicamente comanda o Tenente.

Rapidamente os 40 soldados levantam acampamento e começam a marcha. Passam pelos cadáveres dos habitantes das colinas assombradas do Reino da fronteira, nesse momento Harphagus ordena uma parada á sua pequena legião e investiga os corpos dilacerados.

Sem duvida a espada do aesir derrubou várias das criaturas, juntamente com golpes de adaga, dignos daquele infeliz do Cyrus. Continuemos soldados!

Assim continuaram sua busca pelo aesir e seu suposto cúmplice e não menos culpado Cyrus, o grupamento marchou através das colinas até alcançar um pequeno bosque, entre as árvores podiam ser percebidas torres de uma construção, provavelmente um bom abrigo para os criminosos.

Muito bem guerreiros, preparem-se para esmagar aqueles malditos! Vamos cercar a ruína e não dar chance alguma á eles, tentem ser silenciosos até eu comandar o ataque.

Os soldados adentram o bosque. A luz da lua mal ultrapassava as copas das árvores e escassamente iluminava o que se tornaria um campo de batalha, um local onde Harphagus acreditava que chagaria seu momento de glória, e quem sabe sua promoção para Capitão da guarda, e assim, nada mais de missões como esta.

No momento em que o grupamento chegou á entrada da ruína, se deparam com uma visão sórdida, sangue e ossos para todos os lados, a única coisa que poderia ser identificada entre a possa de restos ensangüentados, era uma cabeça, mas não humana, e sim da montaria do nórdico, junto á tudo isso estavam vários Homens-fera, todos eles com morte e fúria em seus olhos, se deleitando com a carcaça do falecido animal. Harphagus, sem pensar duas vezes, comandou seus homens para que trucidassem as criaturas.

Saindo do bosque não muito longe dali, Eldgrimm, Cyrus e Nesser, fogem o mais rápido possível.

Afinal você não é tão inútil bruxo! Comenta o forte Aesir.

Vocês têm sorte de terem alguém como eu por perto, ainda bem que tinha energia mágica necessária para lançar uma ilusão que conseguisse atrair as feras, você poderia reconsiderar bárbaro, como já lhe disse antes, poderíamos fazer uma boa dupla. Responde o ofegante Neser.

Não se esqueça de mim chacal! Também fiz muito por você quando o guiei pelas ruas de Shadizar no momento em que você me obrigou. Reclama Cyrus ao bárbaro.

Hah! Pela soma que Adamus me prometeu, jamais deixaria você escapar! Você teria que me dar o dobro, o que você não carrega nesse momento. Esclarece Eldgrimm.

É verdade, mas você sabe o motivo de Adamus querer me capturar? Pergunta Neser.

Não me interessa de qual insulto você o chamou, nem a escrava sexual que você roubou dele, a única coisa que ele me disse foi que eu receberia muito bem por sua captura, vivo de preferência.

Bom... Já que você é ignorante demais para entender disso, é melhor eu me calar!

Você está abusando da sorte feiticeiro! Agora é melhor abrir o bico se quer continuar com pernas!!!

Tudo bem homem do norte! Eu era aluno de Adamus quando ele residia em Kheshatta7 na Stygia, ele me ensinou muito, mas não o bastante que eu gostaria, ele tinha planos de derrubar o líder do Anel negro8, o mago Thot-Amon9, pois ele possuía um artefato que o poderoso Thot-Amon buscava á décadas, era o Pergaminho de Íbis10. Esse pergaminho se bem usado, pode trazer a imortalidade, sabendo disso eu roubei o pergaminho de Adamus e o denunciei aos outros magos do Anel em troca de ensinamentos mais avançados. Adamus não foi morto, mas foi proibido de voltar á Stygia pelo resto da vida. Com seus poderes de adivinhação ele descobriu minha traição e pior, descobriu que eu ainda possuo o pergaminho, eu nunca contei á Thot-Amon e nem á ninguém sobre isso, pois sabia que seria morto, ai parti para Shadizar11, e Adamus te mandou até lá atrás de mim.

Com justa causa ele quer você bruxo! Você é um traidor dos piores!

Não seja burro, selvagem! É lógico que ele vai matar você quando chegarmos lá, ainda mais se ele descobrir que você sabe de tudo isso.

Você me contou tudo isso sabendo que ele pode descobrir não é?!, Seu traidor maldito, não deveria ter me envolvido nisso, agora vai pagar com a vida por suas traições!

Ei! Ei! Calma grandão! Pensa bem! Nós três podemos com esse desgraçado do Adamus. Fala Cyrus tentando acalmar os ânimos do bárbaro.

Chegamos lá e matamos o bruxo dos infernos, depois pegamos tudo que ele tem e vamos cada um pro seu canto e esquecemos disso, bom, pelo menos é o que eu faria.

Tudo bem zamoriano, seu plano não é dos piores, de qualquer forma eu sairia perdendo se entregasse esse traste, agora que sei o que ele carrega.

Odeio dizer isso, mas te devo uma, batedor de carteiras. Afinal qual seu nome? Pergunta Neser.

Me chamo Cyrus, e vocês dois?

Eu sou Neser-Em-Neturu12.

E eu sou Eldgrimm, e tomem cuidado com suas ações se não querem que esse seja o último nome que vocês escutarão na vida.

Depois de um plano simples e digno de um ladrão de estrada, um selvagem ganancioso e um feiticeiro louco por poder, os mais novos “associados”, continuam sua fuga pelos campos do Reino da Fronteira.

Nas escuras ruínas, Harphagus e um punhado de assustados soldados recuperam-se do combate, vários dos homens sucumbiram á selvageria maligna das criaturas, cimitarras e peitorais de aço não foram páreo para as garras e presas poderosas dos demônios. Harphagus com ferimentos superficiais só alimenta seu ódio por Eldgrimm e Cyrus, vendo seus homens caídos e dilacerados e os que sobraram em pé, assustados e feridos, o deixa mais obcecado pela captura e execução dos meliantes.

Muito bem soldados sofremos grandes perdas nessa emboscada que foi preparada por aqueles cães, mas não podemos desistir depois de chegarmos tão perto, espero que estejam prontos para continuar a caçada.

Mas senhor, somos poucos! E os que conseguem caminhar estão feridos e precisam de cuidados, eu sou um deles. Pondera um dos poucos homens que sobraram com o tenente.

Pois bem, você será o primeiro, a saber, qual é a minha resposta á esse pedido.

Nesse momento Harphagus saca sua espada e á trespassa no coração aterrorizado do homem. Todos os outros levantam-se imediatamente como se estivessem prontos para uma guerra.

Agora sim parecem soldados! Partiremos atrás deles imediatamente, e se alguém mais estiver com dúvidas sobre continuar, por favor, me avisem e eu terei prazer em ajuda-los á decidir.

Assim, mais uma vez partem em busca dos fugitivos.

Enquanto isso, os aventureiros aproximam-se de uma pequena colina, assim que chegam no topo, avistam um bosque, no centro podem ser vistas pequenas luzes, a vila não está longe.

Ainda faltam algumas horas para o sol raiar, o bosque escuro e enevoado em que o grupo passa causa calafrios, Eldgrimm sente os cabelos da nuca ouriçarem um leve arrepio cruza seus braços e fica preparado para tudo, Cyrus conhece bem as ferramentas do ofício dos ladrões, sabe bem que esse seria um lugar perfeito para uma emboscada e empunha a adaga que o bárbaro emprestou-lhe, já Neser vasculha em sua estranha bolsa, procurando por componentes mágicos apropriados para o que está em mente. Faz-se um silêncio mórbido, como se a própria noite tivesse parado para testemunhar o momento, então abruptamente saltam quatro vultos ferozes de trás das árvores em direção aos aventureiros.

Eldgrimm ergue sua vasta lâmina e com um giro por trás da cabeça, corta um dos atacantes do ombro até a cintura, rasgando-o como se fosse feito de seda, e cai ao chão sem reação alguma, Cyrus espera que seu oponente se aproxime, com a mão que está livre agarra o braço do inimigo e puxa-o de costas contra seu corpo e o degola lentamente deixando um sorriso mórbido no cadáver, enquanto á Neser, enfrenta dois de uma só vez, ele percebe que os marginais supersticiosos sobre os descendentes dos Khari13, hesitam em ataca-lo, assim ele aproveita e estende uma das mãos lançando uma espécie de poeira encontrada somente nas tumbas negras da Stygia, nos olhos desprevenidos dos assaltantes, fazendo-os gritar em desespero, Eldgrimm salta como uma pantera e decapita um deles, o golpe é tão poderoso que um dos braços que o homem esfregava em seus olhos é arrancado no processo.

Por que o matou? Ele já estava sob controle! Pergunta o atônito Cyrus.

Só precisamos de um. Responde friamente o aesir.

Ahh!! Estou cego seu porco!!!

Gritava desesperadamente o ladrão, a escuridão do bosque impedia uma análise visual completa da aparência do meliante, suas roupas eram negras e seu rosto estava mascarado, nada mais podia ser visto além de seus olhos amedrontados buscando a luz.

Se quiser enxergar novamente, é bom começar a falar seu verme, ou você não terá direto nem de ver o rosto de seu executor. Fala Neser em uma tentativa de intimidar o amaldiçoado homem.

Mas o que querem que eu diga? Não sei de nada!!

Quantos mais iguais á você encontraremos até chegar na cidade?

Apenas nós quatro agimos nessa região, somos ladrões independentes, vivemos escondidos nesse bosque á alguns anos, ninguém mais tem coragem de vir pra cá desde que o Castelo Lon foi ocupado por um velho bruxo, evitamos até mesmo de ficar muito tempo no vilarejo, pois forasteiros somem misteriosamente nas noites de lua cheia como esta. Já falei tudo que sabia agora me devolva a visão!

Bom... na verdade eu não tenho como lhe devolve-la. Quem sabe se você sobreviver até o amanhecer consiga ver novamente, eu nunca sei quanto tempo isso realmente dura. Então até logo, e tome cuidado, logo o que sobrou da Guarda de Shadizar pode passar por aqui, ou quem sabe os vingativos homens-fera parem por estas bandas. Vamos embora.

Nãããooo! Maldito, cão sarnento, traidor! Que vocês sejam engolidos pelos demônios do Castelo Lon.

Neser e os outros partem em direção ao vilarejo deixando o solitário ladrão para trás, eles caminham entre as altas e escuras árvores do bosque, apenas seguindo a pequena trilha que os leva á um destino negro e nebuloso ou de riqueza e glória.

Não demoram muito á chegar até um pequeno muro de pedras empilhadas, as ruas estreitas do vilarejo são iluminadas com postes rústicos, ninguém caminhava entre as casas simples do local, além do miliciano responsável.

Alto lá forasteiros! Adverte o guarda.

Era um homem forte e alto de barba longa e careca, usava um colete de couro simples e uma espada larga14 comum.

O que querem aqui á essa hora? Novamente se dirige ao grupo.

Só buscamos um bom lugar pra esticar as pernas e onde sirvam um bom vinho. Responde Cyrus.

Vocês não são bem vindos aqui, voltem pro buraco de onde saíram antes que eu os parta em dois! Responde com aspereza o solitário e muito corajoso guarda.

Quem você pensa que é Cão? Não me custaria nada arrancar sua cabeça e usa-la como adorno na minha sala! Responde Eldgrimm.

Assim que Eldgrimm termina de falar, os olhos do guarda emanam um fantasmagórico brilho esverdeado, e seu corpo é tomado por chamas cor de jade, sua pele torna-se cinzenta e escamosa, os atordoados aventureiros assistem a horrenda transformação, sem perder tempo o aesir empunha sua espada e salta em direção da criatura, Neser inicia seus gestos estranhos e recita palavras mágicas, Cyrus prepara sua adaga, mas permanece distante do demônio. Os fortes golpes de Eldgrimm abrem ferimentos enormes na pele da criatura, mas em segundos eles se fecham e a criatura fica intacta, as labaredas esverdeadas também impedem o rapaz de acertar golpes eficientes e o calor e as garras afiadas ferem seu corpo, Neser pede á Cyrus para que se prepare para atacar ao seu sinal, o ladrão faz um sinal positivo com a cabeça e espera o companheiro terminar sua parte no plano. Várias energias místicas envolvem o mago e sua voz tem um tom de comando em suas estranhas palavras, até que essas energias partem em direção do monstro e extinguem suas chamas infernais, assim Neser grita ao zamoriano para que ataque, devido á distância em que está, Cyrus arremessa sua adaga que voa em linha reta até a cabeça chifruda do demônio, a pequena lâmina se enterra na fronte da estranha criatura, uma substância negra escorre pelo rosto horrendo do monstro, que berra em agonia enquanto suas chamas retornam e o devoram rapidamente, segundos depois seu corpo evapora deixando um odor forte de enxofre.

Nesse momento uma gargalhada demoníaca é ouvida pelos três rapazes.

Bárbaro! Você penssssou que me enganaria? Penssssou que podia ssser melhor que eu? Idiota! Eu sssei de tudo e vejo tudo! Fala uma sinistra voz que lembrava o sibilar de uma serpente!

Nessser! Tolo ignorante! Sssubessstimasste meu poder! Fizesste a esscolha errada e vai pagar por isssso! Novamente fala a aterrorizante voz.

Estamos perdidos! Grita o covarde Cyrus.

Pois então mostre sua cara feia bruxo, já derrotei esse seu lacaio, agora é sua vez de cair!

Esssse coitado? Hahahahaha, eu nem comecei! Provem uma fagulha de meu poder!

Assim que termina de proferir suas maldições, a cidade é tomada de criaturas, das casas saem os moradores de Lucerthan, todos com morte em seus olhos, caminhavam com dificuldade e gemiam em agonia aterrorizante, facas, machadinhas e enxadas eram suas armas, vagarosamente foram cercando o grupo, Eldgrimm golpeava os mais próximos, mas com um certo receio, pois muitos deles ainda eram crianças e outros eram belas jovens recém saídas da adolescência.

E então Neser o que faremos? Não podemos com essa horda dos infernos! Pergunta Cyrus, enquanto Eldgrimm abate as criaturas que se aproximam.

Eu concordo com Cyrus! Ta na hora de pensar em algo bruxo! Fala o atarefado Eldgrimm.

Calma, eu já pensei em algo, mas vai me custar o pouco de energia mágica que me resta, mas acho que vai ser suficiente para destruí-los.

Então, Neser retira de sua bolsa um pergaminho dourado, um rolo velho e surrado, mas emanava um brilho sinistro que aparentava guardar todos os segredos do universo. O Feiticeiro estígio o abre e recita palavras ininteligíveis, sua voz ecoa por todo o vilarejo, uma luz dourada se projeta do pergaminho e flutua em direção dos Não-mortos na forma de um pássaro, uma íbis, trespassando os corpos já sem vida dos condenados moradores de Lucerthan, todos eles foram caindo um á um, sem nenhum gemido ou lamento, Eldgrimm crava sua longa espada no chão e assiste ao espetáculo de braços cruzados, enquanto Cyrus reza á Bel15 senhor dos ladrões, que o leve dali o mais rápido possível.

Malditosss! Eu messsmo cuidarei de vocêss, depoiss de tomar-lhe essse pergaminho, me tornarei imortal e maiss poderossso que Thot-Amon! Sseuss corposs vão fazer parte de minhass legiõess, mass antess vou tortura-loss até a morte com minha magia negra!

Do meio da vila surge uma sombra, se movia rapidamente entre as dezenas de corpos espalhados pelas ruas, usava um manto que lhe cobria totalmente o corpo, apenas seus olhos de luz avermelhada podiam ser percebidos na escuridão da noite. Ao se aproximar dos aventureiros, Adamus conjura um feitiço hipnótico e o direciona á Cyrus, aproveitando seu estado de choque, Cyrus salta sobre Neser com a ferocidade de um tigre, tentando retirar-lhe o pergaminho e igualmente a vida, Eldgrimm aproveita o momento de distração do mago para dar seu bote, com um rápido movimento retira sua espada do chão e á conduz até a cabeça do sombrio homem, seu golpe atinge a face do oponente com força o bastante para decepar sua cabeça e arremessa-la vários metros para trás, mas não é isso que ocorre, o mago dá alguns passos para trás devido à potência dos braços que empunham a arma mortal, mas não sofre dano algum, seu capuz cai, revelando a existência reptiliana de Adamus, seu rosto era de uma serpente estígia, um resultado de experiências demoníacas feitas durante anos em nome da maligna deusa Ishiti16.

Eldgrimm em fúria esbraveja maldições enquanto desfere golpes frenéticos contra o demônio, sem efeito algum, pois em vários momentos o mago evita os golpes se tornando intangível ou criando paredes invisíveis ao seu redor, até o momento em que se torna duro como um diamante, assim a lâmina do bárbaro é estilhaçada em pequenos pedaços que voam em todas as direções, exausto o jovem aesir para e assiste sua lâmina se espatifar.

Jovem Eldgrimm, o que essperava quando decidiu me enfrentar? Deveria ssaber que não sseria páreo para mim, eu sssou o esscolhido de Issshiti, e você é ssó maiss um macaco que ainda esstá aprendendo a sser homem! Veja sseuss amigosss, quanto tempo você acha que Nessser vai agüentar até que Cyruss o mate? Desissta agora e eu lhe darei uma morte rápida! Fala serenamente a serpente Adamus.

Eldgrimm olha para trás e vê Cyrus deitado sobre o estígio tentando esgana-lo.

Pensssou demaisss!!! Fala Adamus.

Adamus conjura palavras de morte enquanto gesticula disciplinadamente e estende sua magra e escamosa mão reptiliana na direção do peitoral definido do jovem aesir, Eldgrimm sente uma forte dor, como se seus órgãos estivessem sendo arrancados de seu corpo, até que cai de joelhos devido à atordoante dor que sente no coração.

Neser em um momento de desespero acerta um golpe com o joelho no estômago de Cyrus, fazendo-o rolar para o lado, de sua bolsa de couro cai um candelabro prateado, os olhos de Neser brilham com vivacidade, como se os deuses lhe tivessem dado uma segunda chance na vida, Cyrus volta á ataca-lo e Neser desfere um soco que nocauteia o magro ladrão, assim ele resgata o candelabro do chão e arremessa para Eldgrimm.

É nossa ultima saída! Faça o trabalho direito dessa vez! Grita Neser á Eldgrimm, enquanto o candelabro voa em uma trajetória de esperança.

Adamus olha sem entender porque um simples candelabro parece ser tão importante para Neser, mas quando se dá conta da verdade, já é tarde demais, sente a prata do objeto ultrapassando sua grossa pele e envenenando seu sangue frio. Eldgrimm usa de toda sua força para cravar as três pontas do candelabro nas vísceras da medonha criação demoníaca, que se debatia e gritava em dor e desespero, mas mesmo entre esse sofrimento o brado de Eldgrimm foi mais alto e proferiu as seguintes palavras:

Morra maldito filho de uma cadela sem nome!!!

Enquanto isso Neser fazia esforços para acordar o amigo Cyrus, o sol começava a dar o ar de sua graça nos céus, emanando suas labaredas douradas no firmamento, Eldgrimm vira-se e olha para os amigos e não é só o que ele percebe, Harphagus surge do bosque com a loucura em seus olhos, sozinho.

Finalmente te encontrei porco! Perdi um destacamento inteiro de soldados por isso, mas sei que sentir minha lâmina enterrada em suas tripas vai justificar minha perda e garantirá minha carreira! Fala o enlouquecido Tenente.

Então você não morreu chacal! Pode deixar! Dessa vez eu vou garantir que você vá para o inferno treinar um pouco com os demônios que enviei pra lá! Responde o aesir.

De um só salto, Harphagus alcança Eldgrimm e um arco prateado passa rente ao rosto exausto do jovem, com muita perícia ele esquiva as estocadas e cortes desferidos pelo exímio espadachim zamoriano, sem arma alguma nas mãos além do candelabro de prata, os olhos de Harphagus brilhavam com as chamas da vingança, dando-lhe o semblante de um demônio sedento de sangue e morte.

Cão sarnento! Fique quieto para que eu o degole como a galinha que você é! Esbravejava Harphagus.

Eldgrimm mantinha-se concentrado, pois um só passo em falso e a cimitarra de Harphagus traria a morte certa. Mas em um momento de distração de seu atacante, Eldgrimm acerta um golpe com o candelabro no rosto lunático do zamoriano, o que o deixa desnorteado e sua arma cai aos pés de Eldgrimm, o soldado da alguns passos para trás e fita os olhos do bárbaro, um certo silêncio se fez naquele momento, Harphagus sabia qual seria seu destino, fechou seus olhos e ouviu seu peitoral sendo arranhado e perfurado, logo após sentiu o toque frio do aço em seu coração, e tudo se apagou.

A Lâmina arremessada precisamente no coração transbordando de ódio de Harphagus foi o suficiente para tomar-lhe o ar da vida, Cyrus levanta-se e Neser se aproxima do bárbaro.

O que aconteceu? Como vocês derrotaram o mago? Pergunta o perdido Cyrus.

Cala boca! O que importa é que Adamus não vai mais atormentar ninguém. Responde friamente Eldgrimm, enquanto revista os bolsos de Harphagus.

Tudo bem amigos, vamos ver o que a cidade nos oferece, quem sabe um bom lugar para esticar as pernas onde sirvam um bom vinho, o que acham? Indaga Neser.

Bom quem sabe nesse lugar vocês me contem tudo então. Fala Cyrus.

Preciso de uma espada nova, esse palito de dentes do Harphagus não me agrada nem um pouco, não mataria nem os cães que vivem em Asgard, mas antes eu preciso de um lugar desses estígio, depois vamos pilhar o tesouro desse porco do Adamus.

Naquela manhã que chegava, os três aventureiros fartaram-se em ouro e jóias, e então partiram em direção ao sul, onde as promessas de riqueza eram maiores, e os perigos que vinham junto com esses tesouros serão maiores que qualquer coisa que tenham enfrentado nessa noite onde apenas iniciaram sua jornada.

Nota do autor: Esse conto se passa na Era hiboriana, mundo fictício criado por Robert E. Howard, criador de Conan, o bárbaro. Os personagens Eldgrimm, Neser e Cyrus foram criados por Rafael “Iron” Olhaberriet.

1-Povo dominante que deu nome á Era Hiboriana.
2-Proveniente do reino de Asgard.
3-Proveniente do reino da Stygia.
4-Proveniente do reino de Zamora.
5-Deus principal do panteão nórdico.
6-Espada de lâmina curva popular no oriente médio.
7-Famosa cidade dos magos da Stygia.
8-Poderosa organização de Sacerdotes de Set a serpente. Set é a divindade principal na Stygia.
9-Mago estígio mais poderoso da Era hiboriana, Líder do Anel negro.
10-Divindade opositora á Set a serpente.
11-Capital do reino de Zamora.
12-Fogo dos Deuses, na linguagem estígia.
13-Povo ancestral dos estígios modernos.
14-Arma predileta na era hiboriana.
15-Divindade zamoriana dedicada aos ladrões.
16-Divindade que faz parte do panteão negro de Set.

NÃO NASCIDO (CONTO) - Renan de Paula Santos

Não-nascido

Renan de Paula Santos – Sailing to Orion



- Como pode me pedir uma coisa dessas?! Eu pensei, Ricardo, eu pensei que te conhecia, mas me enganei!

- A gente não pode acabar com a nossa própria vida em nome disso!

- Isso?! Não é isso?! É uma vida! Eu não vou fazer! Vai ter que me matar porque a menos que eu esteja morta, essa criança vai nascer!

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- Hey Jou! Tô chegando! Já fez o almoço?... Cara, vai ficar uma merda!

Paulo falava gargalhando com o irmão, enquanto se dirigia para a casa dele.

Depois que a namorada de seu irmão desapareceu, ele achou que umas férias com seu irmãozinho gêmeo seria muito bom para os dois. Assim que chegou, Paulo foi recebido pelo irmão, Ricardo, com muita alegria, isso talvez fosse diferente na infância quando os dois brigavam como gato e rato.

A casa do irmão ficava escondida em uma estrada ladeada por uma floresta com algumas colinas, sua casa ficava entre duas delas. Era aconchegante o cheiro e o frescor que as árvores davam ao lugar, o único problema era a distancia que Ricardo percorria até o ponto mais próximo para pegar o ônibus que levava os empregados da empresa na qual ele trabalhava.
Ao entrarem na aconchegante casa, os dois se esparramaram cada um em um sofá. Paulo olhou para o irmão, era o seu reflexo: alto, corpulento como um nadador, cabelos castanhos ultralisos, uma das grandes mãos no topo da cabeça cobrindo-a assim como ele fazia ao se jogar no sofá na infância.

- Estou com fome, Rick.

- Beleza, vamos almoçar.

Os dois almoçavam e conversavam falando das novidades, do esporte, dos trabalhos, namoros... Paulo reparou no tanto que os dois comiam, mas isso não afetava o belo físico dos irmãos. Após recolherem a mesa, Ricardo se sentou novamente na cadeira onde estava antes, abaixou a cabeça e se dirigiu ao irmão:

- Hey Jou, eu queria te falar uma coisa só que...

- Oque foi? Pelo visto num é uma coisa legal.

- Não, não irmãozinho... é bem doida até. – Ricardo endireitou a postura e continuou – Depois que a Julia desapareceu eu fiquei sem receber mais ninguém aqui, sempre dou um jeito de não deixar que as pessoas venham me visitar, você é o primeiro desde então... e... umas paradas estranhas andam acontecendo comigo. Ás vezes quando eu to quieto, sentado, eu sinto como se alguém estivesse me encarando e isso chega a me dar tonturas...!

- Rick, é normal Jou, você acabou de perder sua namorada... muitas pessoas continuam sentindo a presença de quem amam mesmo depois de elas terem morrido.

- Você tem razão irmãozinho. Mas agora com você aqui pra me atrapalhar eu tenho certeza que eu só vou sentir na minha frente o seu bafo podre de quem comeu um boi!. - Aos risos e brincadeiras eles voltaram á arrumação da cozinha.

A noite chega e a calmaria do lugar toma conta dos corpos dos irmãos. Eles se aprontam para dormir. Paulo arruma o sofá e se deita nele, o irmão sai de seu quarto e senta no outro sofá a sua frente, os dois conversam mais um pouco e no decorrer da conversa Paulo percorre o corpo seminu do irmão com os olhos. A pele morena e macia do irmão totalmente descoberta, com exceção das partes intimas cobertas apenas por uma samba-canção larga que permitia que Paulo visse a intimidade do seu irmão enquanto ele estava com as pernas abertas. O desejo proibido da adolescência ainda não passara.
As luzes se apagam e Paulo se deita virado para a sala. Não demora muito e ele começa a ter a sensação de que algo o esta encarando, face-a-face, ele pensa um pouco antes de abrir os olhos e constata que não há nada na sua frente, ele ignora a sensação e vira o rosto para o encosto do sofá. A sensação não vai embora e Paulo não dorme naquela noite.

- Dormiu bem Jou? – Pergunta Ricardo ao irmão sonolento na manhã seguinte.

- Erm... – ele pensa em contar a verdade mas não acha que o irmão deva se preocupar com sensações bobas – Sim, sim... é que fiquei cansado ontem e não dormi o suficiente.

- Preguiçoso.

Paulo ficou sozinho na casa do irmão pois ele foi trabalhar. Por vezes quando ele passa pelo quarto do irmão, ele se excita pensando na maneira masculina como o irmão dormia e como todo aquele grande corpo se esparramava pela cama, os pensamentos eram logo varridos da mente e para se distrair daquele desejo ele resolveu caminhar pela floresta. Depois de algumas poucas árvores que circundavam a casa e a estrada a floresta virava um extenso matagal com pequenas colinas.
O Sol já se punha e Paulo resolveu voltar, já chegando próximo as árvores ele tropeça e cai num pedaço descampado em forma de elipse, a terra estava empapada e ele pensou ter sujado a roupa toda de lama mas ao levantar percebe que esta inteiramente sujo de sangue, um sangue escuro com um fedor pútrido, ele se assusta e enojado tira a camisa sujando um pouco o rosto e os cabelos.

- Merda! Porra! Que merda é essa?! – Ele esbraveja e volta correndo para casa.

Ao se aproximar vê a luz acesa mostrando a chegada do irmão, ele grita sua situação para o irmão e enquanto se encaminha até o quarto onde ele esta tira a camiseta. Ao chegar no recinto ele joga a camiseta para Ricardo que pergunta oque havia demais na camiseta, Paulo a pega de volta tenso e vê que ela esta limpa, como sempre esteve, confere as mãos e o resto do corpo e constata que com exceção do suor tudo está ok.

- Não... – ele se senta na cama do irmão – eu tropecei e cai num pedaço de terra com sangue e... eu estava todo sujo...

- Você ta bem limpo agora Jou, mais limpo que eu até.

- É... eu to vendo mas... ontem eu senti alguém me observando quando eu tava deitado Rick, do jeito que você falou. Eu não disse antes porque não dei importância mas agora...

- Paulo, eu não to precisando disso agora cara... você mesmo disse que isso era normal e que...

- Ta, ta eu sei...! mas agora... eu juro Rick, juro, eu estava com sangue na roupa toda! Eu vim correndo até aqui! Eu sei oque eu disse mas agora eu acredito... ah Jou... me desculpa... você deve ta passando por um momento difícil e eu que era pra te alegrar estou te enfiando merda na cabeça.

- Paulinho... eu acho que é a Julia Jou. – Ricardo parecia começar a lacrimejar.

- Rick... não Jou, para com isso, por que ela voltaria? Ela te amava demais irmãozinho e nem foi com você não é? Foi comigo e...

- Não, Paulo... eu ando vendo coisas também, uns dias antes de você chegar um vulto passava correndo na porta do meu quarto, varias vezes, eu ouvia os passos, mesmo que eu não olhasse, eu ouvia e tava ficando louco, ainda bem que você chegou irmãozinho.

Paulo acordou ás 8:00 em ponto, estava sozinho em casa, nem vira o irmão levantar e ir para o trabalho. Ele se levantou e se aprontou para o dia que viria. Andar pela casa agora lhe dava arrepios, a sensação de estar sendo vigiado era intensa em cada cômodo, era irritante aquela sensação! Paulo estava nervoso e foi para o quarto do irmão, talvez ficar sentindo o cheiro dele, vendo o lugar onde ele se deitava, os lugares onde ele encostava ou até mesmo o fetiche pela sua toalha o acalmasse. Paulo andava pelo quarto respirando fundo, tateando com as mãos tudo o que provavelmente Ricardo encostara pela manhã. Ele olhou pela janela do quarto em direção a floresta, sentiu um arrepio ao olhar entre as árvores e se virou para se horrorizar e sentir a adrenalina percorrer todo o seu corpo junto com ondas de calor e arrepios: a cama de seu irmão estava coberta daquele sangue fétido e havia também uma mulher, pálida, suja de algo que parecia lama comendo os dejetos que estavam misturados ao sangue, de longe ele viu que havia uma pequena mão como a de um bonequinho ou como a de um daqueles fetos que ele havia visto em fotos na Internet. A mulher sem olhar pra ele disse:

- Ele precisa estar dentro de mim de novo.

Paulo correu como nunca em direção á porta da sala, ele queria sair dali imediatamente, ele chegou à sala e ao pegar as chaves do carro e a carteira se deu conta de algo, tudo no quarto do irmão estava arrumado, toalhas secas no devido lugar, a roupa suja não estava no banheiro ou na cama, ate a carteira e o crachá do irmão estavam sobre o criado-mudo. Ricardo não havia ido trabalhar e Paulo não titubeou, saiu de casa e se dirigiu para o lugar onde ele havia tropeçado.
Mais uma vez ele corria como nunca, chegou cansado ao matagal e não demorou muito para sentir o alivio de ver o irmão. O alivio passava cada vez que Paulo se aproximava, o irmão estava sentado na terra chorando desesperadamente na frente de um buraco aberto.

- Foi aqui... foi aqui que eu enterrei ela. – disse Ricardo em prantos para o irmão

Incrédulo Paulo olhava para o que jazia dentro do buraco, o corpo de Julia, se putrefazendo e fedendo muito, mas reconhecível. Ricardo começou a falar chorando como uma criança profundamente infeliz:

- Ela estava grávida... não quis tirar o filho de jeito nenhum e eu... eu não queria... ela disse que estava com raiva de mim por eu ter pedido aquilo e ia me tirar tudo... eu não queria... ela se irritou e quis me bater mas eu bati nela e ela... eu num sei o que aconteceu mas ela começou a sangrar e depois desmaiou... ela não acordava ai eu trouxe ela pra cá.

Mil coisas passavam pela cabeça de Paulo e despertavam nele sentimentos muito ruins. Como irmão foi capaz de matar uma mulher que carregava seu próprio filho? Como foi capaz de fingir que ela estava desaparecida? De sorrir? De tamanha frieza?! Só que vindos dos confins mais escuros da alma de Paulo outros pensamentos lhe trouxeram mais sentimentos ruins. Ele se lembrava do que sentia pelo irmão e de como o irmão não sentia o mesmo por ele, de como Ricardo era mulherengo e machista caçoando dos sentimentos que um homem sentia pelo outro, se lembrou de como foi o irmãozinho tão “inho” que o irmão nem se importava com sua aproximação... e agora ainda era um assassino, um porco, covarde, machista, bruto, o desprezou tanto e no final o monstro era ele.
Paulo sorrateiramente pegou a pá que o irmão usou para desenterrar Julia e sem que ele pudesse prever, o irmão pulou dentro da cova pedindo perdão ao cadáver de Julia. Aquilo acendeu ainda mais o ódio de Paulo e ele sem clemência desferiu um golpe certeiro no pescoço do irmão fazendo a cabeça se desgrudar do corpo. Paulo se deixou cair de joelhos, os olhos arregalados e as pupilas dilatadas, ele não ouvia, não sentia e não via nada além daquela cova. Mas aos poucos ele sentiu algo se aproximar e uma leve mão o tocou no ombro e uma voz infantil lhe falava:

- Obrigado titio, você é o melhor tio do mundo, fez tudo pra me agradar, eu sou o sobrinho mais feliz do mundo. Obrigado, titio.

Sábado, 31 de Maio de 2008

IS MAGAZINE

IS MAGAZINE - A REVISTA ELETRÔNICA DA IRMANDADE DAS SOMBRAS – NÚMERO 2

Especial: O verdadeiro pai de Frankenstein. Entrevista: Henry Evaristo. Mais: contos, resenhas e poemas sombrios. Baixe a IS número 2

  • IS MAGAZINE NÚMERO 2

  • Leia também a IS número 1

  • IS MAGAZINE NÚMERO UM
  • Sábado, 17 de Maio de 2008

    UM ESTRANHO NO ESTACIONAMENTO (CONTO)


    Por Carla C. Waltrick
    Já passava das 23 horas quando Alice percebeu que estava há muito tempo no laboratório de análises clínicas de sua faculdade onde a mesma estagiava.

    A faculdade nem estava mais em funcionamento, o estacionamento estava vazio, a única presença além da dela no campus, era a do vigilante noturno, que estava totalmente concentrado em seu rádio de pilha que narrava o boletim de esportes.

    Alice sempre foi esforçada, uma aluna exemplar, concluir o curso de Farmacologia era o seu maior sonho, para isso ela achava que ficar até tarde no estágio era necessário para seu desenvolvimento acadêmico.

    Era uma noite como as de filme de terror, chuviscava, estava frio e Alice não tinha guarda-chuva.

    A bela garota de olhos claros e cabelos cinzentos corria pelo estacionamento da faculdade até achar seu carro que estava estacionado no lugar mais longe que se podia imaginar. Entre a corrida, o frio, a chuva e cadernos, o jaleco, relatórios de pesquisa e os óculos caíram no chão...

    Alice ficou desesperada, ela não podia perder seus relatórios. Quando se levantava toda despenteada, com os relatórios ensopados na mão, olha para o lado e vê uma pessoa vindo em sua direção.

    Bom, a chuva não era mais problema, pois um rapaz se aproximou com um guarda-chuva e disse:

    - Precisa de ajuda? Quer uma carona debaixo do meu guarda-chuva?

    - Não, muito obrigada! O meu carro está logo ali!- Onde? Não tem carro nenhum aqui...

    - Atrás da guarita...A chuva enfim, deu uma trégua...- Tudo bem, só quis ser gentil.

    - E foi, eu que estou em estado de calamidade, um pouco irritada, meus relatórios estão ensopados, meu jaleco sujo e ainda por sinal, estacionei meu carro no pior lugar possível.

    - Deixa eu me apresentar, Benício! (fechando o guarda-chuva)

    - Alice! Agora tenho que ir.Alice saiu rapidamente dando passos longos, a mesma estava assustada com a aproximação do rapaz, imaginou que fosse um "tarado" ou um assaltante metido á "amiguinho".

    Finalmente dentro de seu carro, seguiu para sua casa.

    No caminho para sua residência há uma longa estrada deserta. Sua casa ficava em uma praia há 30 km da universidade. Ouvindo "The Reason" no seu toca fitas, cantarolando para passar a irritação de ter perdido a metade de seus relatórios, Alice vê um vulto e passa por cima de algo que fez estrumecer o carro.

    Ela acha que passou por cima de alguém.

    Alice encosta o carro, vai ver o que aconteceu... Mas nem chega perto do corpo caído no meio da estrada.

    Era um rapaz caído no chão e estava em estado de decomposição, não havia morrido com o atropelamento, na verdade, nem houve atropelamento algum...

    Com medo, Alice volta para o carro, acelera e vai embora.

    Liga para a emergência, narra os fatos acontecidos, que havia um corpo na estrada, mas que ela não voltaria ao local. No dia seguinte, a garota lê o jornal da cidade, vê a foto do rapaz e era o mesmo do estacionamento.

    Ele se chamava Benício, estava há seis dias desaparecido, foi assassinado e o criminoso não foi identificado. Alice não acreditava no que estava lendo, do que viu, será que foi o espírito do rapaz que falou com ela no estacionamento?

    Isso ela nunca saberá. Alice só sabe, que de alguma forma, naquele estacionamento, ele veio oferecer ajuda á ela, pois ele já sabia que ela o ajudaria a ser encontrado.

    FIM.

    Por Carla.

    Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

    A VIZINHA (CONTO)


    A Vizinha
    Conto de Fernando Messina

    Richard era um daqueles sujeitos de poucos amigos e isolado, solteiro, vivia confortavelmente em uma bela casa em um bairro nobra da capital de São Paulo, herdara dos pais já falecidos, uma considerável fortuna, sendo assim, ele era um autêntico bon vivant, quando não estava viajando pelo exterior, estava cuidando de sua coleção de carros antigos, tinha dezenas e mais dezenas de carros fabricados entre os anos 30 e 70, Plymonths, Impalas, Cadillacs, dentre outros
    Apesar de ser um sujeito de fortuna, jovem e bonito, Richard vivia sozinho, não tinha amigos, nem namorada, pra falar a verdade, apesar de morar naquela imensa propriedade, mal conhecia seus vizinhos.
    Um dia, voltando de um encontro de carros antigos lá em Campos do Jordão-SP, ao chegar a rua de casa, ele se depara a poucos metros do portão, com uma linda moça, vestida de preto e com uma maquiagem pesada, na verdade ele já a tinha visto antes, ela morava ali na região e ele lembrara também de que se tratava da filha do banqueiro, um de seus vizinhos.
    Ao parar o carro em frente ao portão, ele notou que ela ainda o olhava, mas não deu importância a isso, o portão abriu-se e ele adentrou com seu Jaguar em casa. desligou o motor e desceu do carro, quando ouviu alguém chamar-lhe ao portão:
    - Moço, moço, por favor, me ajude. Disse a Gótica
    Richard, dirigiu-se lentamente ao portão, com um ar contrariado por ter tido sua rotina quebrada:
    Pois não, em que posso ajudar-lhe. Disse Richard
    - Estou sozinha, preciso conversar com alguém, disse a Gótica
    Ele pensou por alguns instantes, a princípio achou melhor despacha-la, pois a conhecia de vista e encrenca era algo que ele jamais se metia, mas olhando para aqueles olhos tristes, bom, Richard então a permitiu que entrasse.
    -Obrigada moço, você não sabe como é muito importante pra mim, disse a Gótica
    - Bom, Sou Richard Valen, acho que somos vizinhos.
    - Sou Samara Wells, sim, moro a 400 metros daqui
    - Acho melhor então entrarmos, por favor, entre. Disse Richard
    A casa de Richard, era enorme,e por ele morar lá sozinho, a fazia parecer maior ainda, logo entrando havia uma grande sala, com 2 ambientes, a esquerda uma escadaria que dava para os quartos, e a esquerda a porta de seu escritório, era decorada com riquíssimos móveis, mas ao mesmo tempo uma bagunça
    - Mas então Sâmara, qual seu problema? Disse Richard
    Só agora Richard realmente havia prestado atenção em Sâmara, era uma linda moça de cabelos longos e ruivos, seus olhos eram azuis, de um azul vivo e intenso, um rosto com traços bem delicados que em costraste com seus cabelos ruivos e sua maquiagem pesada, lhe dava um ar pálido e sombrio.
    - Sou sozinha. Meus pais não conversam mais comigo, nem em casa eles me deixam entrar. meus amigos me ignoram, eu não tenho ninguém, disse Sâmara.
    Não vamos nos ater muito aos problemas de Samara, era uma jovem de 18 anos, revoltada com os pais como qualquer adolescente de hoje em dia, ela conversou com ele durante mais de 4 horas, e ao fim disse.
    - Eu tenho de ir-me agora, já ocupei muito seu tempo por hoje, muito obrigada por ter me permitido desabafar. Disse Samara
    - Não há de que, você é uma moça muito bacana, sempre que quiser, pode vir aqui, fique sabendo que agora você e minha amiga, a propósito, você me disse que seus pais não a deixa entrar em casa, aonde tem passado as noites? Se quiser pode ficar aqui, das 5 suítes da casa, obviamente só uso uma, tenho 4 disponíveis. Disse Richard
    - Não se preocupe, você só de conversar comigo, já fez muito por mim, acredite, estou hospedada na casa de uma amiga
    E assim dizendo, Sâmara levantou-se, abraçou Richard, olhou fixamente em seus olhos e, quando seus lábios quase se tocaram, ela afastou-se e, ambos sem jeito diante da situação criada, despediram-se e Samara foi embora.
    Pela primeira vez em muitos anos, aquela gótica maluquinha havia mexido com o coração de Richard, por muitas vezes ele passava lentamente com seu carro em frente a casa do pai dela e ficava suspirava de paixão. Os dias foram passando e ele aguardava ansiosamente que ela novamente batesse à sua porta, ao cabo de 12 dias, na mesma hora da ocasião anterior, Samara novamente bate a porta de Richard, dessa vez aos prantos.
    - Samara, o que aconteceu. Disse Richard
    - Eu preciso de você, disse Samara
    - Eu pensei em você durante todos esses dias, por onde andava e se vc estava bem, disse Richard a Samara.
    - Eu também pensei muito em você, você é o único que me entende a ainda fala comigo, disse Samara com os olhos inundados de lágrimas a Richard
    Samara então abraçou muito forte Richard seus olhos novamente se cruzaram e, então seus lábios se tocaram; beijaram-se, com um beijo forte e longo que apenas os que amam podem descrever isso. E assim ficaram por um bom tempo, subiram para o quarto, fizeram amor e dormiram juntinhos durante a noite inteira.

    Antes de amanhecer e antes de Richard acordar, Samara foi embora, deixando um bilhete:
    “ Meu amor, foi muito bom, mas não quis te acordar, até mais, te amo, Samara”
    Como todo bom vivant, Richard nunca acordava antes do meio-dia, por acordar tarde sempre, ele entendeu o bilhete deixado por Samara e passou o dia todo pensando nela
    Na noite seguinte ela voltou e então se entregaram a mais uma noite apaixonante de amor.
    Ao amanhecer Richard levantou-se e Samara não estava lá, desceu as escadas e a encontrou sentada no breu da sala de vídeo chorando
    - Oh, meu amor, o que há de errado, tudo irá ficar bem agora, eu te amo. Disse Richard.
    - É por isso mesmo que choro, nosso amor é impossível, disse Samara
    - Como assim, impossível, nos amamos, somos solteiros, adultos e somos apenas nós dois, você já não fala mais com seus pais, os meus já morreram, durante esses dias pensei muito e cheguei a conclusão de que só temos um ao outro.
    - Samara acenou com a cabeça positivamente, Richard que estava ajoelhado em frente a ela, acariciou-lhe a face e disse:
    - Meu amor, tive uma idéia, vamos nós dois passear de barco, tenho um barco e podemos passar o fim de semana no mar, nós dois
    Samara já com um semblante menos triste, positivamente acenou com a cabeça que sim
    Bom, então Richard deixou Samara em casa, e saiu pra resolver algumas coisas, no caminho teve a idéia de ir parar e ir conversar com os pais dela, parou seu jaguar em frente ao portão do banqueiro Wells, cuja propriedade era algumas vezes maior do que a sua. Nervoso e ansioso ao mesmo tempo, Richard foi atendido pelo segurança-sentinela que portara como um verdadeiro cão de guarda na guarita principal
    - Bom dia Sou Richard Valen, sou vizinho e gostaria de falar com o Sr Wells.

    - O Sr Wells infelizmente não irá atende-lo, disse o frio segurança

    - Mas, quero falar-lhe a respeito de sua filha, disse Richard

    Bom, então o segurança pensou um pouco, afinal, vá que esse homem tem alguma coisa realmente importante a dizer, então ele decidiu tocar o interfone e chamar o mordomo

    O mordomo chegou até o portão, mediu Richard dos pés a cabeça e notou que esse era um amigo " diferente" dos amigos que Samara costumava manter amizade, aproximou-se e disse.

    - Bom dia Sr, Sou Edward, o mordomo da casa, pelo que o segurança m,e disse o sr tem algo a dizer a respeito da pequena Samara?

    - Sim, gostaria de conversar com o pai dela, queria dele o que preciso fazer para que ele a perdoe

    - Perdoar??? Não estou entendendo cavalheiro, como assim, perdoar????

    - Bom, mas vamos entrar, o Sr Wells não irá atende-lo, mas mesmo assim, entre e me conte realmente o que o traz aqui, disse o mordomo

    Adentrando nos salões da enorme mansão do banqueiro, e ainda por cima pai de sua amada, Richard ficou meio acanhado e sem jeito, mais ainda quando viu uma enorme pintura a oleo de sua amada pendurada em uma das paredes da mansão

    -O Sr. aceita um café? - disse o mordomo a Richard

    - Não, muito obrigado, o que realmente aceitaria seria a boa vontade em chamar o pai de Samara para ou poder falar com ela, pois eu a amo muito

    Meio confuso o mordomo disse:

    -Todos nós amamos a Samarinha, mas o que ela fez, não depende do perdão do pai dela, e sim do perdão de Deus.

    -Mas o que ela fez assim de tão grave. Disse Richard com ar de indignação.

    -Bom, pelo visto, percebo que realmente o sr é totalmente alheio às coisas que ocorrem em nossa vizinhança. Disse o mordomo

    -De fato, eu viajo muito e ademais não me preocupo muito com a vizinhança ou qualquer outra coisa que não me diga respeito. Disse Richard.

    -Bom, o fato é que Samara se matou, no banheiro de sua suíte a três meses atrás, seu pai já havia perdido a esposa a alguns anos, agora perder a filha na flor da idade, foi um choque muito grande para ele, na verdade para todos nós, pois todos aqui admirávamos a Samarinha.
    A reação de Richard, foi de espanto, mas ao mesmo tempo de descrédito
    - Me desculpe Sr, mas certamente o sr esta enganado, Samara nesse momento está dormindo em minha casa, com medo de voltar pra cá.

    O mordomo totalmente assustado com o que acabara de ouvir e muito irritado, disse a Richard.
    -Por favor, peço que o sr se retire dessa propriedade imediatamente, isso é uma falta de respeito com a dor da família, seguranças, retirem esse cavalheiro daqui
    -Não, antes eu tenho de falar com o pai dela. E dizendo isso Richard correu pela casa subindo as escadarias e ao aproximar-se do quarto do sr Wells, foi contido e arrastado pelos seguranças
    Com toda a barulheira causada, o Sr Richard abriu a porta de seu quarto e falou.
    - Mas o que está acontecendo aqui?
    -Não é nada sr, é apenas um amigo descontrolado de Samara que esta atormentado, mas já dominamos a situação
    Richard olhou fixamente para a fisionomia um tanto debilitada e disse;
    -Ela não está morta Sr Well, ela está lá em casa, o sr tem que acreditar em mim
    -Ora, para de sandices homem, minha filha morreu, eu a enterrei, isso é dói, mas é verdade, saia da minha casa ou eu chamo a policia
    Com muita luta, gritando e esbravejando, Richard foi colocado pra fora pelos seguranças da propriedade. Totalmente atormentado e confuso, Richard sai correndo a pé, pelas ruas de seu bairro, desesperadamente entra em sua casa gritando.
    - Samara, Samara meu amor, acorde.
    Ao adentrar em seu aposento, encontra o quarto vazio, revira a casa de cima a baixo a procura de Samara, mas não a encontra, então totalmente confuso ele senta no canto de seu quarto, e com as mãos sobre os joelhos, fica ali, por horas, triste e pensativo, era totalmente impossível a Samara estar morta, pensou ele, ademais ele nunca acreditou em histórias de fantasmas e era um ateu convicto, de repente ele tem uma idéia e diz para si mesmo.
    -Vou provar para aquele velho louco que sua filha está viva, dizendo isso, ele corre para a sala de monitoramento e segurança de sua casa, aonde câmeras instaladas por toda a residência registravam tudo 24 horas por dia.
    -Vamos, vamos, registros de 12 horas atrás, ah, aqui está, play
    Ansiosamente Richard começa a assistir ao vídeo e todos os movimentos de seu próprio quarto, todos os momentos vividos tanto na noite anterior, como em todas as outras em que viveu com Samara, estão lá registrado, mas para seu espanto e pavor, nenhuma imagem dela aparece, somente Richard aparece nas filmagens como que abraçado a algo invisível, nem áudio, nem vídeo, nada.
    Consternado de dor e medo, todos os momentos desde que a viu pela primeira vez, passam em sua cabeça como um flash, lágrimas de perda e dor rolam sobre a face triste de Richard, pois embora difícil de aceitar, o grande amor de sua vida, já era sem vida desde a primeira vez que trocaram as primeiras palavras e juras de amor.
    Nessa noite Richard esperou por sua amada, mas ela não veio, e assim foram-se dias e mais dias, Richard mal dormia, não saia mais de casa, ficava o dia inteiro perambulando entre os cômodos da casa, chamando:
    -Samara, Samara onde está você?
    Uma manhã se sexta feira, totalmente fora de si, Richard arruma as malas e dirige-se ao cais do Guarujá, ele vai pegar seu Iate, muito nervoso e irritado Richard dispensa o iatista e diz que zarpará sozinho, a contragosto, o iatista permite que Richard zarpe sozinho, mesmo ele não tendo habilitação para conduzir tal embarcação
    -Veja meu amor, que vista linda. Diz Richard sozinho dentro da embarcação.
    O Mar está calmo, realmente estava um lindo dia para se passear de barco, Richard contuinua com seus devaneios, coloca o barco na rota de direção em alto mar, liga o piloto-automático e segue em seus devaneios bebendo. Richard bebe a tarde toda, não percebe que o iate afastara-se demais da costa e de repente, um solavanco.
    - Oh, merrrdaaaa, mas que poorrcaaria de barcooo. Meu amor, eu acho, quee eesse barco accaboou a gasoliiina,, vooou peeedirrrr ajudaaa pelooo rádiooo.
    Mal consegue manter-se em pé de tão bêbado, ele chega a pegar o rádio, mas cai desmaiado logo em seguida.
    Passa a tarde e ao anoitecer, Richard acorda, seu barco está a deriva.
    -Ai, minha cabeça, bebi demais.
    -Devagar meu amor, você me chamou, eu vim. Disse Samara, acariciando-lhe a cabeça.
    - Meu amor, que bom que você voltou pra mim, acredita que seu pai me disse que você tinha morrido. Disse Richard
    -É verdade o que meu pai lhe disse, respondeu Samara.
    Richard a principio sentiu um enorme medo, mas seu amor era mais forte, e então disse a Samara.
    -Não me importo que se vc é viva ou morta, eu te amo e preciso de você, por favor, não me deixe, não me abandone, disse Richard com lágrima nos olhos.
    -Samara e Richard se beijaram, nesse momento todo o barco se iluminou, naquela noite de mares calmos e luar minguante, uma forte luz azulada surgiu dos céus e envolveu toda a embarcação, o amor quie Richard sentia por Samara era tão forte e sincero, que foi justamente o amor de Richard que libertou Samara de seu pecado e de sua maldição de vagar pela terra
    Na manha seguinte, uma fragata da Marinha do Brasil, encontra um iate a deriva a 400km da costa, a equipe de resgate entra no barco, mas não encontra nenhum tripulante a borbo, apenas algumas garrafas de bebida vazias.
    -Pobre tripulante, deve ter bebido, caído do barco e morrido afogado, disse o marinheiro.
    Durante vários e vários dias, as buscas pelo corpo de Richard vasculharam uma área de 1000km do local onde o barco fora encontrado, mas o corpo nunca foi localizado.

    Domingo, 2 de Março de 2008

    A CASA DOS ROBERTS (Conto)


    Por Michael Santana
    Em1927, Mike estava no quintal de sua casa ,brincava com sua bola de basquete, perto da casa dos Roberts, uma família que tinha morrido com suas cabeças decepadas dos corpos, o povo na época comentavam que o senhor Robert, tinha matado sua esposa e seus filhos por que a mesma tinha o traído, e queria acabar com todas a lembranças que o fazia lembrar de sua família, todos comentam que o senhor Robert, nunca mais apareceu depois do o corrido, alguns falam que se matou enforcado ,e o corpo desapareceu, e todas as noites as famílias que moram perto da casa dos Robert, escutavam barulhos de pessoas pedindo por misericórdia, outros falam que eram seus filhos pedindo para o pai,não leva suas vidas ,mais Mike não acredita nessa historia, para ele era tudo bestará , até que um dia ele chamou seu amigo marcos, para entrarem na casa dos Roberts , marcos aceitou por que também não acreditava em contos de terror ,Mike marcou a visita na casa dos Roberts, no dia seguinte a meia noite junto Com Marcos seu amigo, em noite de hallowen, no dia seguintes Marcos e Mike estavam muitos curiosos para verem como seria a casa dos Roberts, por dentro. A caminho da casa dos Roberts, Mike teve um mau pressentimento como alguma coisa o avisasse para o mal que viera acontecer, ele ficou meio assustado mais preferiu seguir em frente com marcos, os dois estavam caminhando pela rua deserta em rumo a casa dos roberts,quando os dois chegaram na entrada da casa, Mike escutou uma voz de uma mulher uma voz agradável para eles não entrarem na casa dos roberts, por q ele teria um final triste com seu amigo ,ele sentiu um arrepio no fundo da alma ,até pensou em desistir naquele momento ,mais o mesmo tempo seria um covarde , ao abrir o portão ,Mike viu um vulto de um homem alto mais ou menos um metro e noventa ele ficou curioso para saber quem era, caminhando até a entrada da casa eles avistaram a porta aberta marcos achou muito estranho eles pesaram que alguém queriam assustar os dois , ao entrarem na casa Mike pressentiu a morte do seu lado, com os olhos lagrimejando com as suas perna paralisadas ele sentia que algo de ruim viera acontecer com os Dois naquele momento, ele começou a se lembrar das mensagens que fora enviadas que algo de ruim ia acontecer,Marcos vai até a cozinha para verificar se tinha água ,por que sua boca estava muito seca ,e não agüentava de tanta sede ,Mike preferiu esperar na sala , por já ter passado mais de uma hora e Marcos não retorna ,Mike assustado pensou que tinha acontecido algo de estranho, para marcos demorar tanto ,a o chegar na cozinha ,Mike viu marcos sentado na mesa no seu redor estava cheio de sangue , ao se aproxima perto de marcos sua cabeça caiu, Mike ficou desesperado suas pernas não obedecia e quando olhou para traz viu um homem com um machado na mão com o pescoço quebrado ,seu rosto estava todo deformado sua pela podre sem vida e com uma corda amarrado no pescoço ,era o corpo do senhor Robert,Mike desmaio de tanto medo ,e quando acorda esta na cama de um hospital com seu pai ,ao se lembrar do amigo com a cabeça degola Mike fica desesperado com o passar do tempo ,ele se lembra que Quando viu o corpo do senhor Robert viu um espectro de uma mulher, até hoje ele acha que foi a mulher do senhor Robert que salvo sua vida, Mike com o passar do tempo ficou louco, e acabou se suicidando com um tiro fatal em sua cabeça.

    Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

    MARCADOR (Conto)


    Autor: Paulo César Born Martinelli

    Tiago Curad corria pela traiçoeira e destruidora floresta de Ventosa. Ventosa era uma cidade de interior que hoje, não se sabe o porquê, não existe mais. As pessoas se mudaram de lá sem dizer motivos e sem comentar a ninguém, os que ficaram, bom, nunca mais foram vistos. A floreta pela qual Tiago corria tinha muitas lendas, sempre lhe disseram que ela era amaldiçoada, ele nunca acreditou, cresceu brincando lá, era o lugar mais seguro para ele. Seus pés estavam terrivelmente machucados, os galhos que caiam dos grandes pinos da floresta cortavam seus pés como uma navalha. Tiago não ligava para isso, tinha que correr, ele sabia, se ficasse parado ficaria igual aos outros. Ouvia atrás de si que alguém o perseguia, seu pavor o fazia correr ainda mais rápido. A floresta, sua companheira desde sempre, o havia abandonado, não lhe dava nenhuma chance de se esconder ou simplesmente desaparecer dos olhos de seu perseguidor. Tiago sabia que seu caçador tinha olhos muito bem treinados, com anos de experiência neste tipo de caça, por isso as suas chances eram poucas. Sua calça social marrom estava toda rasgada, sua camisa, também social, branca com listras azuis de vários diâmetros, estava com três rasgos em seu peito mostrando a ferida de sua pela branca. Alguns botões já haviam se perdido, praticamente aberta, os galhos cortavam sua barriga como se fossem chicotes do inferno, sua penitência.

    Ventosa, como toda a cidade do interior dos anos 60, era pequena e cheia de historias sobre uma infinidade de monstros, as quais apenas crianças acreditavam. Quase todos se conheciam, as fofocas era a maior diversão das donas de casa, já os homens, ou caçavam na floresta maldita ou criavam seu gado, porcos, carneiros, vacas, bois, uma diversidade de animais. A criação era muito famosa, os bons tratos com os animais produziam uma carne muito boa em todos os aspectos, isso fazia de Ventosa um cidade conhecida por sua qualidade em carnes, claro, mesmo que fosse apenas pela região. Comerciantes da redondeza vinham para Ventosa à compra desses graciosos animais. Na caça os homens traziam animais estranhos, ou seja, nunca vistos pelo país, apenas naquela floresta. Normalmente vinham com algumas capivaras, cachorros do mato, cobra, mas muito difícil uma onça ou até mesmo jacaré, estes eram artigos de luxo, por causa do couro valioso movimentava o pequeno, único comerciante na cidade, de peles. Também abatiam alguns lobos, morcegos, e uma vez uma espécie de leão, mas não era muito um leão. O que mais aparecia eram lobos, sempre ligados ao desaparecimento de pessoas na região, principalmente caçadores. Todos ficavam tranqüilos pelo fato de que os caçadores iam caçar bem no centro e lá encontravam alguns perdidos. Teve uma leva de caçadores que foi caçar lobos, eram em torno de 15, voltaram 3. Esses que sobreviveram contaram que chegaram ao lugar onde sempre encontravam os lobos e quando perceberam haviam uns 20 lobos reunidos, não tiveram chance, todos foram mortos, menos eles que correram antes de começarem a atirar.

    Tiago Curad tinha 7 anos quando isso aconteceu, seu pai era caçador e morreu nesse dia. Sua mãe ficou histérica, ele ouvia seus gritos a noite de horror, ele tentava tapar os ouvidos, mas seus gritos eram estridentes e impossíveis de não se ouvir, tinha certeza de que toda a cidade estava ouvindo. No dia seguinte, quando acordou sua mãe não estava mais em casa. Estranhou o desaparecimento, com apenas 7 anos ele já sabia manter a calma. Ao sair de casa encontra toda a cidade reunida, conversando, ele tentou ouvir o que estavam conversando, apenas ouviu: “Eu vi, eu vi, ela foi carregada para o meio da floresta” e todos fazendo “OOOO”. Quando ouviu isso seu rosto empalideceu, ninguém havia percebido que ele estava ali, suas pernas ficaram bambas, num impulso descontrolado ele saiu correndo para a floresta, quando estava entrando na floresta ouviu: “Olha, olha, o filho dos Curad está entrando na floresta.” Fez Tiago correr mais rápido ainda, seus pés calçados com uma sandália de palha pisavam por entre os espinhos caídos dos grandes pinhos da floresta “ Vamos, antes que os lobos o peguem”, suas pernas giravam mais rápido, estava com medo, queria encontrar sua mãe, e por algum motivo sentia que seu pai também ainda estava vivo. Uma multidão entrou na floresta com rifles e espingardas. Tiago corria o máximo que podia, parecia que sua salvação era a floresta. Foi quando encontrou alguns galhos caídos de tal forma que faziam uma pequena proteção. Rapidamente ele entrou dentro daquele pequeno espaço entre os galhos e ficou parado esperando se despistar da multidão. Não pensou se poderia haver cobras, aranhas, ou algo do gênero, apenas queria se esconder. Deu certo, a multidão passou despercebida por ele, seguiram um rastro cego, o qual apenas a floresta lhes mostraria o caminho que deveriam seguir, que daria onde ela mesmo quisesse. Esperou mais um tempo para sair de seu esconderijo.

    Quando saiu Tiago estava cansado, sua camisa ensopada de suor, seus calçados quase estourando as fitas que o faziam tomar forma. Olhou para todos os lados, nada viu, nenhum som lhe parecia vir aos seus ouvidos, além do movimento uniforme das pontas dos pinos. Sabia perfeitamente pra onde deveria voltar, a sensação de que sua mãe estava viva se fora, seu pai, nem sentia mais. Agora parecia que sua mão estava junto consigo, logo ele percebeu que o sentimento que sentira fora simplesmente uma forma de esvair a sensação de perda, uma ação histérica que poderia ter custado a sua vida. Passou a mão pelos braços numa tentativa inútil de limpar seus braços da lama que tinha em seu esconderijo. Agora voltaria para casa, sozinho, único filho, sem ninguém para cuidar, sabia que fariam uma reunião na praça pra quem cuidaria do amaldiçoado que perdera seus pais. Caminhando lentamente cabisbaixo de volta para casa, pensando em sua triste vida, na tragédia que acabara de acontecer, ele ouviu alguma coisa. Levantou sua cabeça e vê, a sua frente, como se estivesse trancando a sua passagem de volta a cidade, um lobo. Meu deus, nunca avistaram um lobo tão perto da cidade assim antes. Olhava pra ele, sentiu o frio em sua espinha, paralisou, não sabia o que fazer, estava esperando qualquer movimento do lobo. Este o fitava incansavelmente, Tiago olhava em sua volta a procura de alguma coisa cortante, apenas galhos lotados de espinhos, nenhuma pedra, nada que lhe servisse. Quando levantou a cabeça de novo o lobo não estava mais a sua frente, olhou para a direita, nada, esquerda, nada, se virou lentamente e nada. Seu coração começou a disparar, o lobo estava escondido a sua espera, o terror tomou conta de si. Ouviu algo se aproximando, saindo do meio da folhagem viu o lobo, rosnando, Tiago arregalou os olhos, o lobo pulou para cima dele, pôs o braço entre ele e o braço para se proteger. Tentando lutar com todas as suas forças para se livrar do lobo, seu braço sendo dilacerado, ele gritava inutilmente de dor, por socorro, mas o lobo continuava em cima dele. Seu desespero tomara conta de todo o seu corpo, não conseguia mais fazer nada, quando ouviu um “PAH” e o lobo caiu no chão. Olhou para o lado que tinha vindo o barulho e viu a multidão com faces atormentadas pela cena que tinham acabado de ver. Um garoto com o braço quase destruído por um lobo. Ao olhar para o lugar onde o lobo havia caído não tinha mais nada, havia sumido. Mas agora estava a salvo.

    Houve uma reunião na cidade para decidir quem ficaria com Curad, alguns da cidade concordavam em matá-lo, pois agora ele estava infectado pelo vírus do lobo, mas teve um senhor, o que cuidava de frutas, que lhe acolheu em sua casa.

    Tiago foi crescendo, e sempre voltava para a floresta para falar com sua mãe, como todos faziam indo ao cemitério, mas dessa vez na floresta amaldiçoada.

    Cresceu e se tornou o dono da quitanda do homem que lhe havia educado, este morreu quando Tiago tinha 16 anos, voltou a morar na casa que eram de seus pais, e ao fundo, quase na floresta plantava as suas frutas que vendia posteriormente na sua quitanda. As historias de caçadores desaparecidos continuaram, mas um dia isso mudou, quando uma criança que brincava com um boneco perto da floresta, Tiago passou com uma maça que havia cuidado especialmente e viu a criança. Ele a olhou e falou:

    - Cuidado que o lobo pode te pegar – a criança ficou pálida, Tiago vendo que a assustara entregou-lhe a maça dizendo – tome, me desculpa, não queria assustá-la.

    Logo depois essa criança foi levada por um lobo pelos pés para o meio da floresta. Tiago não viu, mas ouviu os gritos desesperados da criança de sua quitanda, nada fez, apenas ficou em sua venda esperando que os gritos fossem sufocados pelo barulho do vento nas pontas dos pinos. Isto Tiago já estava com seus 21 anos. Odiava lua cheia, sempre passava mal, lembrava-se dos lobos, seus pais, tudo que envolvia a floresta. Agora havia homens especializados em caçar lobos, o interessante é que quase todos tinham marcas de garras nos rostos, lembrança de alguma luta. Os ataques começaram a ser mais freqüentes, crianças estavam desaparecendo cada vez mais perto de suas casas. Todas as vezes ele ouvia os gritos de horror das crianças sendo levadas, ele não se conformava, por que crianças e não homens. Mulheres também começaram a desaparecer, mas eram as mães desesperadas procurando pelos filhos no meio da floresta. Tiago não se conformava com isso, mas não fazia nada.

    Toda noite, depois de fechar a sua quitanda ele ia ao bar beber alguma coisa. Uma noite ele encontrou um homem, tinha uma cicatriz no rosto que lhe atravessava toda a face, na hora sacou que era um caçador de lobos. O homem tinha cabelos cumpridos e mal cuidados. Usava um casaco de pele de lobo, uma bota de borracha preta e bebia um copo de whisky. Um rosto serio, não olhava para ninguém. Tiago começou a sentir algo em seu estomago, uma dor muito forte, não conseguia segurar, se ajoelhou com as mãos em sua barriga, a dor era imensa e soltou um grito:”AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARG”. O homem de pele de casaco se levantou, tirou uma espécie de faca com ter pontas e disse:

    - É você seu desgraçado!! – levantando aquela faca para o alto e depois abaixando com toda a sua força em direção ao peito de Tiago. Este por sua vez tentou se desviar apenas rasgando-lhe a camisa e cortando superficialmente seu peito.

    - Eu o que? Não fiz nada – Tiago com três riscos no peito olhava para o homem.

    -É você que nos entrega a eles, seu filho da puta – um momento de silencio - eles mataram tanta gente – parecia que o homem sentia a dor da perda e da raiva através de sua voz triste e cabeça baixa.

    Quando o homem terminou de dizer aquilo Tiago viu que era hora de correr. Sua camisa social de trabalho estava rasgada. Saiu desesperado do bar, o homem enfurecido vinha logo atrás dele com a faca de três pontas. Sabia que o melhor lugar para se esconder era a floresta, ainda de tardezinha podia se ver a luz do sol, mas era difícil. Entrou na floresta rapidamente, os espinhos enganavam a todos, inclusive a Tiago, num pulo em falso ele prendeu os dois pés em algo que ele não sabia o que era. Viu o homem se aproximando rapidamente, retirou seus sapatos, deixando as meias juntos e saiu correndo. Não queria morrer, tinha de correr. A floresta, sua companheira desde sempre, o havia abandonado, não lhe dava nenhuma chance de se esconder ou simplesmente desaparecer dos olhos de seu perseguidor. Tiago sabia que seu caçador tinha olhos muito bem treinados, com anos de experiência neste tipo de caça, por isso as suas chances eram poucas. Sua calça social marrom estava toda rasgada, sua camisa, também social, branca com listras azuis de vários diâmetros, estava com três rasgos em seu peito mostrando a ferida de sua pela branca. Alguns botões já haviam se perdido, praticamente aberta, os galhos cortavam sua barriga como se fossem chicotes do inferno, sua penitência. Seus pés estavam terrivelmente machucados, os galhos que caiam dos grandes pinos da floresta cortavam seus pés como uma navalha, mas não ligava para isso, tinha que correr, ele sabia se ficasse parado ficaria igual aos outros.

    A noite chegara, a visão estava difícil, não estava pior por causa da luz da lua cheia que imperava no céu estrelado, sem nuvens. O vento era como se não existisse, a meia noite estava chegando. A falta de energia fez seu corpo cair no chão, uma batida seca marcou o encontro de seu corpo com a terra da floresta, de galhos e folhas secas. Seu caçador em um pulo se apoderou do corpo de Tiago, imobilizando-o, e falou:

    - Seu desgraçado – levantando um facão enorme pronto para abaixar.

    - Não, não faça isso – falou Tiago numa voz baixa e em difíceis condições.

    - A única coisa que eu quero saber é como que você os entregava?

    - Eu não entreguei ninguém – fazendo muito força falar.

    - claro que é – o caçador com o facão levantado, sorrindo maleficamente, olhando friamente para Tiago, e continuou – está quase um lobisomem. Tiago olhou para si mesmo e viu que era verdade, estava se transformando.

    - Cara, eu não sou quem marcava as pessoas para morrerem – sua voz estava áspera.

    - Tá ok, então vamos fazer o seguinte, eu não vou lhe matar se me contar a verdade.

    - Mas eu não.....

    O facão desceu rapidamente e cortou um galho que se encontrava a milímetros da cabeça de Curad. Ele entrou em crise nervosa, começou a se debater, inutilmente, mas tentava se livrar de seu caçador.

    - Trato feito?

    - Tá ta, eu colocava substancias em minhas frutas e entregava para quem eles pediam, isso marcava a pessoa, seu cheiro ficava mais forte e suas forças mais fracas.

    - Seu filho da mãe, vou te matar seu desgraçado.

    O caçador começou a levantar o facão novamente, decidido a matar Tiago que se encontrava deitado no chão indefeso e fraco. Quando percebeu a sua volta, lobos e pessoas nuas olhando para ambos no chão. A meia noite havia chegado, o caçador estava presenciando pela primeira vez em sua vida a transformação de um grupo inteiro, seu tempo estava acabando, voltou seus olhos para Tiago, quando esse disse:

    - Se me matar o resto da cidade também morre – virou sua cabeça para o lado e viu seus pais, metade humanos, metade lobos. Voltou seus olhos e olhou para seu caçador.

    O homem sobre Tiago fitou-o e fez feição de descrença, num movimento fatal decepou a cabeça de Tiago, a qual ao rolar alguns centímetros se transformou em uma cabeça de lobo, o homem havia assinado a sua sentença de morte e de toda a cidade.

    LEMBRANÇAS DE UM ASSASSINO (Conto)


    Autor: Grégor Marcondes

    Greenfield era uma cidade pequena, geralmente estava envolta em névoa. Localizada em Norrland na Suécia, era uma cidade cercada por montanhas e florestas, era perfeito para se passar às férias. Era em Norrland que ficavam os picos mais elevados da Suécia, pois lá havia o monte Kebnekaise que tinha 2.111 metros e também o monte Sarek com pouco mais de 2000 metros. A cidade de Greenfield havia sido fundada em 1859 por veteranos soldados ingleses que acharam naquele local um bom lugar para terminarem suas vidas. Era um local calmo, tudo que um soldado veterano queria. O nome Greenfield havia sido dado por um soldado chamado Steven Mantenson e significava “Verde Campo” na língua inglesa. Em 1900 havia se instalado em Greenfield uma serraria de nome Tree Peaks. A serraria trouxe novos habitantes à cidade e estava crescendo cada vez mais. Em 1940 a serraria pegou fogo, e boa parte dela foi destruída. Após isso a serraria foi desativada ficando abandonada desde então. Na cidade havia um cidadão chamado Edward Gray, ele viera de Portsmouth morar em Greenfield, os acontecimentos contados a partir de agora aconteceram com ele, Edward Gray.

    Edward estava dormindo quando foi acordado com o som da campainha. Acordou rapidamente e olhou para o relógio que marcava 3horas em ponto. Quem poderia ser a essa hora da madrugada?Edward levantou-se para ver quem era. Saiu de se quarto que ficava no andar de cima da casa e desceu lentamente as velhas escadas de madeira. Havia um longo e estreito corredor que dava para a sala. Ao chegar perto da porta sentiu um pouco de medo e anseio em abrir a porta, se aproximava lentamente até que caiu para trás com o susto que levou, a porta havia sido empurrada bruscamente e se ouviu uma voz alta e grossa do lado de fora que falou:
    - Abra essa porta Senhor Ed!
    - Por favor, quem é?Perguntou Edward com sua voz tremula.
    - Acho que o senhor deveria abrir primeiro, temos muito que conversar e é do seu interesse.
    - Irei abrir, mas se você me falar quem você é primeiro!
    - Não adiantaria, pois o senhor não me conhece!
    - E você me conhece?- O que quer de mim?
    - Lhe conheço muito bem Senhor Ed!- Estou aqui para ajudar você, mas se não abrir essa porta irei embora e você ira se arrepender por isso!
    Edward não viu outra saída, abriu a porta tremulo e se deparou com um homem alto que usava um capuz sobre a cabeça. Estava vestido todo de preto e a escuridão da noite dificultava que Edward visse seu rosto.
    - Não está com medo não é Senhor Ed?
    - Na verdade estou confuso, o que quer de mim?
    - Como disse lhe ajudar!
    - Mas não preciso de ajuda!
    - Sabe o que é Senhor Ed, eu sei todo seu passado, inclusive aquilo que você fez ainda quando morava em Portsmouth, desculpe sei que você quer que isso fique em segredo!
    - Não sei do que está falando!Disse Edward que se encontra pálido e mais nervoso do que nunca.
    - Não adianta se esconder de mim Senhor Ed!- Eu sei o que você fez, sei toda a verdade, por isso estou aqui quero lhe ajudar!
    - Não sei como você sabe, mas se você veio aqui para me subornar não acho uma boa idéia, pois saiba que eu não tive culpa no que aconteceu em Portsmouth.
    - Se não teve culpa por que fugiu ao invés de tentar explicar o que realmente aconteceu para a Scotland Yard!
    - Eles não iriam acreditar em mim, iriam me prender!
    - Isso por que você é culpado Senhor Ed!- Mas posso lhe ajudar, se não quer realmente mais se preocupar com isso.
    - Não tenho nada para lhe dar e outra, nem ao menos sei seu nome.
    - Prazer Senhor Ed meu nome é Richard Sullivan.- Agora que sabe meu nome posso prosseguir?
    - Pelo tipo não tenho outra escolha!
    - Então vai fazer o que eu mandar e ficara tranqüilo para sempre.-Você vai me dar dez mil libras até amanhã, se fizer isso não contarei a ninguém o que fez e não vai mais precisar se preocupar com aquele ocorrido para o resto da vida, afinal de contas foi acidental não é mesmo Senhor Ed?
    - Aonde vou arrumar dez mil?-Não tenho como!
    - Amanhã as 3horas da madrugada você me levara o dinheiro na serraria abandonada, se não o fizer vai ter mais problemas do que você imagina!-Passar bem Senhor Ed.
    Edward fechou a porta e começou a pensar se realmente aquilo tudo era verdade ou apenas um sonho. Foi novamente para cama tentar dormir, se fosse um pesadelo iria descobrir pela manhã.
    Quando acordou era 7horas e 30minutos. Acordou disposto como se nada tivesse acontecido à noite, parecia ter dormido a madrugada inteira. Aos poucos começou a pensar que o episodio ocorrido de madrugada não passara de um sonho, talvez tivesse levantado sonâmbulo e tudo aquilo fosse apenas uma ilusão de sua mente.
    Como de costume se vestiu para ir trabalhar, era bibliotecário da biblioteca municipal de Greenfield. A biblioteca não era enorme como a que tinha na faculdade Harvard, mas não era pequena era até grande para a pequena cidade de Greenfield, tinha vários livros escritos por grandes mestres da literatura como os de Edgard Allan Poe, Aldous Huxley, H.G Wells e do Sir Arthur Conan Doyle, alias eram desse último os livros preferidos de Edward, era um grande fã de Sherlock Holmes e o fato de Doyle ter morado em Portsmouth cidade natal de Edward fazia sua admiração ainda maior. Uma das raridades da biblioteca era o empoeirado livro do “Drácula” de Bram Stoker, era uma versão de 1912, outros livros com contos como “A casa do Juiz” e “O monstro Branco” enriqueciam a coleção de livros de Bram Stoker na biblioteca.
    Antes de ir para o trabalho passou para tomar café na lanchonete que ficava do outro lado da rua de sua casa. Quando entrou na lanchonete sentou-se ao lado de uma mulher.
    - Como vai?Perguntou ela a Edward.
    - Estou bem e você?
    - Também, você é o Senhor?
    - Senhor Edward Gray, mas pode me chamar apenas de Edward.-E você como se chama?
    - Susan Beltmore!- Sou de Copenhague estou apenas conhecendo a cidade e você mora aqui?
    - Sim! Há alguns já faz dois anos.- Eu morava em Portsmouth na Inglaterra.
    Edward conversou mais um pouco com a Senhorita Susan, até ela se retirar.
    Então Edward perguntou para a garçonete:
    - Dona Melinda posso lhe fazer uma pergunta?
    - Desde que não seja indecente!
    - O que é isso Dona Melinda nunca faria uma coisa dessas.- Quero apenas saber se viu alguém entrar em minha casa ontem de madrugada?
    - Olha aqui Senhor Gray não sou de ficar bisbilhotando a vida dos outros, portanto se alguma mulher está freqüentando a sua casa a noite eu não tenho nada a ver com isso, só espero que ela não seja casada!
    - O que aconteceu com a Senhora hoje para estar falando assim comigo?
    - Nada é que os homens são todos iguais!
    - Bom enquanto a isso não sei.- Mas só para você ficar sabendo não foi nenhuma mulher que foi em minha casa, foi um homem que veio bater a minha porta ontem de madrugada.
    - Então a coisa está mais feia que eu pensava!- Espero que ele não seja casado!
    - Estou vendo que não da para conversar com a Senhora hoje, é melhor eu ir embora!
    Edward foi para a biblioteca trabalhar, ficou o tempo inteiro pensando se realmente existia o Senhor Richard Sullivan e se realmente ele sabia a verdade sobre o que Edward fez. O problema agora era se Richard existe mesmo onde ele iria achar conseguir dez mil libras até de madrugada. Foi então que entrou na biblioteca Senhor Simmons guardião da biblioteca e amigo de Edward.
    - Simmons!Exclamou Edward
    - Diga Edward?
    - Você trabalhou ontem de madrugada na biblioteca não é?
    - Sim!
    - Então você poderia me dizer se viu alguém entrando em minha casa ontem de madrugada?
    Da biblioteca podia ver a casa de Edward então provavelmente se Simmons estivesse atento poderia ter visto alguém na casa de Gray.
    - Não Senhor Edward, mas por que a pergunta?
    Edward não queria falar que conversou com alguém de madrugada, pois Simmons poderia achar que ele estava ficando louco, então teve que inventar uma mentira.
    - Por nada Senhor Simmons é que sumiu uns papeis meus então pensei que poderia ter sido furtado por alguém, mas acabei de lembrar que já os dei para uma pessoa.
    - Bom qualquer coisa você sabe, pode contar comigo estou sempre por aqui de madrugada e se alguém entrar em sua casa eu vejo daqui e corro para sua casa.
    - Obrigado Senhor Simmons!
    Edward estava mais convencido que Richard Sullivan não existia e quando chegou à noite foi dormir sossegado.
    Era quase 3horas de madrugada novamente quando Edward acordou com um barulho vindo de sua sala. Desceu correndo as escadas e percebeu que o barulho vinha de sua televisão, que estava ligada, mas não estava em canal algum havia apenas chuviscos na tela. Quando chegou perto da televisão para desligá-la notou que havia um papel em cima da mesma, estava escrito:
    “Você está atrasado Senhor Ed!”.
    Edward olhou rapidamente para a janela da sala e pode ver alguém um vulto que saiu rapidamente correndo. Edward Gray pensou que só poderia ser o vulto de Richard Sullivan, então saiu correndo atrás dele. Quando saiu da casa pode avistar o vulto correndo rapidamente rumo a serraria abandonada, Edward começou a correr logo atrás tentando alcançá-lo mais era incrível como o vulto corria rapidamente. A serraria ficava dentro de uma floresta, e Edward pode ver o vulto entrando floresta adentro e sumindo. A serraria era assustadora até mesmo de dia, mas a noite era muito mais, os sons vindo da floresta quebravam o silencio e tornavam o local mais tenebroso. Edward foi chegando perto da serraria quando escutou um barulho vindo de dentro dela, ele se aproximou e avistou uma porta aberta do lado esquerdo da serraria. Estava totalmente escuro dentro da serraria, mas mesmo assim Edward decidiu adentrá-la para averiguar. Logo quando entrou avistou uma luz. Ficou parado observando e percebeu que a luz se aproximava dele, escutava também passos, então ele perguntou:
    - Quem está ai?
    A luz se voltou para um rosto, era Susan e a luz era de sua lanterna.
    - Senhoria Susan o que faz aqui?
    - Um homem me trouxe para cá! Tinha me amarrado dentro da serraria, mas eu consegui me soltar, ele deixou a lanterna no chão virada para meu rosto.
    - Como era esse homem?
    - Não consegui ver direito, ele estava encapuzado!- Precisamos sair daqui, não sei o que ele queria, mas parecia ser uma pessoa má!
    - Eu sei, vamos me acompanhe.
    Os dois foram correndo para fora da serraria, mas quando saíram da porta escutaram uma voz que vinha do lado esquerdo da porta:
    - Você demorou Ed!- Trouxe o que você me prometeu?
    Era o mesmo homem que bateu na casa de Edward dizendo ser Richard. Ele estava segurando uma longa e velha tesoura de cortar grama na sua mão esquerda. Ao se aproximar deles rapidamente Edward falou para Susan:
    - Vamos correr para a floresta não há outra saída!
    Edward começou a correr para dentro da floresta, Susan estava logo atrás dele. Mas Edward estava sem a lanterna e acabou se chocando com uma árvore.
    - Edward onde você está! Gritava Susan.
    - Estou aqui!
    Quando Susan conseguiu iluminá-lo com a luz da lanterna Richard surgiu rapidamente da escuridão da floresta e atravessou a ponta da tesoura na barriga de Susan prensando a mesma em uma árvore. Susan deu um forte grito então Richard pegou a cabeça dela e a bateu três vezes contra a árvore, Susan derrubou lentamente a lanterna e vendo que a havia matado Richard pegou a lanterna e iluminou o corpo todo ensangüentado de Susan e gritou:
    - Esta vendo Senhor Ed, eu falei que haveria graves conseqüências se não fizesse as coisas como eu mandasse.
    - Desgraçado!Gritou Edward.
    Edward foi correndo em direção da luz mais tropeçou em um galho caiu e bateu a cabeça em uma pedra.

    Não!Gritou Edward quando acordou com o despertador de seu relógio. Mas ele não estava mais na floresta e sim na cama de sua casa, passou a mão sobre a cabeça e não havia ferimento nenhum.
    - Um pesadelo!-Um maldito pesadelo!Disse Edward para si mesmo. Arrumou-se rapidamente para ir ao trabalho e quando estava passando pela sala parou e ficou olhando para a televisão, chegou perto para ver se havia o bilhete que ele achou de madrugada, mas não tinha nada. Novamente conclui que só podia ser um pesadelo, o que é pior pela segunda noite consecutiva.
    - Tenho que tirar umas férias. Falou baixinho consigo mesmo.
    Foi à lanchonete tomou um café e se dirigiu ao trabalho. O trabalho ia indo tranqüilo até a hora do almoço quando foi na casa de Jack um conhecido seu para almoçar. Quando chegou lá Jack deu a estranha noticia.
    - Edward você está sabendo?
    - Sabendo o que?
    - Aquela Senhorita Susan que estava visitando a cidade foi achada morta na floresta próxima à serraria está manhã!- Ela foi brutalmente assassinada, estava com varias mutilações no corpo, foi achada sem os olhos e com um dos dedos da mão cortado!
    Edward quase desmaiou ao ouvir isso. Não era mais um pesadelo e sim realidade aquilo tudo que ele passou na madrugada. Edward ficou olhando fixo em um ponto sem dizer uma palavra.
    - Edward você me ouviu?
    - Sim Jack!- É que eu fiquei tão assustado que não tenho palavras.
    - Estamos todos assustados, afinal de contas essa cidade é tranqüila e não tem um assassinato desde 1950, ou seja, há 50 anos.
    - Não conheço esse assassinato!
    - Como eu disse ocorreu em 1950, eu ainda não era vivo, mas meu pai me contou!
    - E como foi?
    - O assassino era um homem chamado George Borden, era conhecido como “aleijadinho” por ser aleijado desde criança.- Ele matou sua mulher chamada Mary Borden com 19 facadas!
    - Nossa!Exclamou Edward.
    - É, mas esse assassinato da Senhorita Susan também é terrível!- Quem pode ser?
    - Não tenho nem idéia, mas quem quer que seja é um monstro.
    - Tomara que a policia não venha me fazer perguntas, pois eu nem falei com aquela mulher!
    - Eu também não, apenas a cumprimentava.
    Após o almoço Edward voltou para o trabalho chocado ao saber da morte de Susan, sua vida agora parecia ser um completo pesadelo.
    Ao final do dia quando conferia os livros da biblioteca percebeu que estava faltando um. Era um livro chamado “Noções de Anatomia”. Verificou que ninguém o havia locado e que ontem ele ainda estava na biblioteca. Estava confuso e se não achasse o livro poderia ser um problema.Teve a idéia de colocar o livro como locado para ele mesmo para que pudesse ter um tempo até achá-lo e devolvê-lo.
    Quando voltou para casa tomou um longo banho e subiu para o quarto. Deparou-se com a gaveta de sua escrivaninha aberta. Ao verificar notou que estava tudo no lugar, não havia sumido nada, pelo contrario havia algo a mais. Era um livro grosso e pesado que ao verificar a capa constatou que era o mesmo que havia sumido da biblioteca, mas havia algo marcado, uma pagina, ao abrir teve um susto!Era o um dedo que marcava a pagina, só podia ser o dedo da Senhoria Beltmore. Além do dedo havia um bilhete escrito:
    “Reze para que o guardião da biblioteca não tenha visto você saindo de casa ontem de madrugada, pois poderá ser um ótimo suspeito no assassinato daquela dama! Hoje não faça as coisas erradas, me encontre as 3horas de madrugada na biblioteca”.
    Essa noite Edward não iria dormir, estava realmente disposto há se encontrar com Richard Sullivan na biblioteca. Ele não tinha o dinheiro, mas talvez pudesse conversar com Richard para saber se o que ele realmente queria era só dinheiro. Edward apesar de não ter planos de matar Richard pegou um revolver Luger 9.9mm que pretendia levar consigo para se defender caso Richard quisesse atacá-lo como fez com a Senhorita Susan Beltmore.
    Era 2horas e 45minutos quando Edward saiu de sua casa rumo a biblioteca. Por azar teve que voltar para pegar uma capa de chuva, pois nem bem colocou seus pés para fora da casa e começou a chover forte. Era uma chuva gelada e com vários trovões e relampejos. Foi correndo rumo a biblioteca e se deparou com Simmons.
    - Simmons!- Quero preciso entregar esse livro na biblioteca.
    Edward mostrou o livro de anatomia para Simmons.
    - E precisava ser agora Edward!
    - É que eu já o peguei faz tempo e precisava entregá-lo hoje.
    - Pode me dar eu coloco lá dentro para você.
    - Não!- Quero dizer muito obrigado Simmons mais eu sei o armário aonde colocá-lo eu mesmo vou é rápido.
    - Está bem.
    Simmons abriu a porta da frente para Edward que entrou rapidamente para o local onde ficava os armários com os livros. Desceu a escada e acendeu a luz, era mesmo com as lâmpadas acesas muito escura a biblioteca. Começou a procurar o armário de medicina. Passou pelos armários contendo livros de ciências humanas, depois de exatas, depois dos de literatura estrangeira e finalmente avistou o armário com livros de medicina, não havia muitos livros, mas o armário era extenso mesmo tendo uma parte dele vazia. Começou a andar pelo corredor quando escutou uma voz do fundo do mesmo.
    - Estou aqui!
    - Richard?
    - E quem mais poderia ser?- Ficou feliz que ainda lembra o meu nome
    - E como poderia esquecer um nome tão perturbador como o seu Richard Sullivan.
    - Chega de falar bobagens!- Trouxe-me o que eu pedi?- Aposto que não.
    - Realmente não trouxe, por que não tenho como conseguir o que me pediu então pouco tempo.
    - Precisamos conversar. - Já que você não consegue essa quantia então mudei de idéia, a partir de agora eu quero outra coisa.
    - E o que seria?
    - Sua casa! Amanhã pegarei minhas coisas e me mudarei para a sua casa Senhor Ed espero que você faça toda a papelada como tem que ser quero ela em meu nome o mais rápido possível.
    - Minha casa? Você só pode ser louco, para onde eu vou se não tiver minha casa?
    - Eu sou um bom homem por isso deixo você dormir no porão da casa, creio que seria melhor do que dormir na cadeia, pelo menos você continua com sua liberdade, e não é tão ruim assim dormir no porão.
    - Não posso fazer isso.
    - Pode e vai fazer, não darei outra chance essa é a ultima, agora vá não tenho mais nada para falar com você!
    Edward pensou em tirar o revolver e atirar em Sullivan, mas percebeu que não valeria a pena. Quando estava saindo se deparou com Simmons.
    - Entregou o livro Edward?
    - Sim.
    - Você está estranho ultimamente Edward está acontecendo alguma coisa?
    Edward ficou por alguns segundo pensando e decidiu que deveria contar a Simmons, mas ao invés do suborno ele teve a idéia de dizer que estava sendo ameaçado de morte.
    - Sim Simmons. Estou com um problema.- Um homem esta me ameaçando de morte!
    - Homem?Quem?Deveria ter me dito antes!
    - Ele diz se chamar Richard Sullivan!
    - Como?
    - Richard Sullivan!- É um nome familiar para você?
    - Não só para mim como para toda a cidade, pensei que soubesse sua história afinal de contas você trabalha na biblioteca nunca se interessou em ler os livros que conta sobre o passado de nossa cidade?
    - Para falar a verdade nunca me interessei!
    - Pois se tivesse lido saberia quem é Richard Sullivan, ou melhor, quem foi!
    - E quem foi?
    - Era um jardineiro que morou na cidade, mais precisamente na casa...Nossa!Na casa onde você mora agora!
    - Mais o que ele fez?
    - No outono de 1948 ele se mudou para cá, dizia ter vindo da Bélgica para Suécia em 1940 para fugir da Segunda Guerra Mundial. Morou por oito anos em Estolcomo, até chegar aqui em Greenfield. – Foi então que começou o desaparecimento de moradores no total foram cinco desaparecidos inclusive o filho de apenas oito anos do pastor que ministrava aqui aquela época. – Em uma tarde ensolarada o pastor e mais dois policiais entraram na floresta para procurar os desaparecidos. Quando encontram uma pequena cabana mais ao sul, ao entrarem na mesma encontraram dois corpos dos desaparecidos, estavam mutilados. Uma busca minuciosa os levou a encontrarem um lenço que logo reconheceram como sendo de Richard Sullivan o jardineiro já que ele sempre estava usando o mesmo. Logo foram para a casa de Sullivan onde encontram dentro do porão um terceiro corpo e uma cabeça. Havia também uma tesoura de cortar grama com vestígios de sangue. Sullivan estava na serraria na hora que os policias encontram essas evidenciam e partiram atrás dele. Quando chegaram na serraria ela estava pegando fogo, envolta em chamas. Após o fogo apagar os policias procuraram o corpo de Sullivan, mas não o encontraram, testemunhas disseram que ele espalhou gasolina em boa parte da serraria e em si mesmo e após isso colocou fogo no seu próprio fogo que depois se alastrou pela serraria. Porem o corpo de Sullivan nunca foi encontrado e ele nunca mais visto. Ele virou um mito do terror para a cidade, pessoas relatam que ao passar perto da serraria viam ele com o corpo todo em fogo e com uma tesoura na mão dando risada. A serraria ficou conhecida como mal-assombrada e ninguém mais teve coragem de entrar lá por isso ninguém se interessou em reconstruí-la após o incêndio. Os quatro corpos encontrados tanto na cabana como no porão da casa de Sullivan eram dos desaparecidos, porém o corpo do filho do pastor jamais foi encontrado o que gerou mais medo na população, pois os moradores freqüentemente falavam ter visto uma criança sangrando correndo e chorando dentro da floresta.
    - É realmente assustador! Mas como seria possível ele ainda estar vivo?
    - Eu não sei!
    - O que acha de me ajudar a conferir?Ele está na biblioteca, o vi quando fui entregar o livro.
    - Está aqui? Se você quer ir vamos, mas precisamos tomar cuidados parece-me ser perigoso.
    Ambos se dirigiram para a biblioteca, mas precisamente na parte onde Edward havia conversado com Sullivan. Quando Simmons tentou acender a luz teve uma triste surpresa.
    - A luz não acende Edward!
    - Parece que acabou a luz ou então foi cortada por Richard!
    - Espere eu tenho uma lanterna na minha mochila.
    - Então a pegue!
    Simmons abriu a mochila e pegou uma lanterna, os dois foram com calma e cautela se dirigindo para dentro da biblioteca. Desceram vagarosamente até onde Richard havia sido visto pela ultima vez, não havia barulho nenhum, só os da chuva e dos trovões. Também não havia ninguém na biblioteca, o lugar estava vazio e não havia o mínimo indicio de que Richard esteve ali.
    - Ele desapareceu! Exclamou Edward.
    - É o que parece.
    - Só me resta retornar a minha casa.
    - Se precisar de alguma coisa Edward só me falar.
    - Está bem Simmons, eu prefiro não procurar a polícia, não tenho indícios de onde ele está eu acho que eu iria passar por um mentiroso lunático se contasse essa história para polícia.
    Edward foi correndo para sua casa, não se importava muito com a chuva que caía estava preocupado com Richard, queria resolver logo as coisas. Quando chegou a casa ficou um pouco receado em tomar banho por causa dos raios que estavam caindo, mas decidiu tomar banho afinal ele não conhecia ninguém que tivesse morrido tomando banho fruto de uma descarga elétrica provocada por um raio.
    Seu chuveiro era antigo, mais antigo ainda era os encanamentos da casa. Ligou a torneira, e enquanto começava a cair às primeiras gotas de água do chuveiro ele tirava a roupa para tomar banho. Não deu nem bem tempo dele tirar a camisa, pois a luz se apagou, parecia que havia sido cortada. Edward ainda colocou a mão na água do chuveiro para ver se a água estava quente, mas pelo contraio, se encontrava fria o que provara que a luz tinha acabado ou havia sido cortada. Edward colocou a camisa que nem bem tirara e se dirigira para o porão para verificar a caixa de energia. Quando estava passando pela sala a campainha tocou. Edward ficou com medo, pegou no bolso para pegar o revolver, mas se lembrou que já havia guardado antes de ir para o banheiro tomar banho. A casa estava escura e iluminada apenas pelos raios e trovoes, Edward foi rumo a porta da sala e olhou pelo olho mágico da porta e se tranqüilizou ao ver que era a cara de Simmons.
    - Quase que você me mata do coração Simmons! Exclamou enquanto abria a porta.
    Mas quando abriu a porta teve a triste decepção. Simmons estava morto! Seu corpo estava sendo segurado pela mão esquerda de Richard Sullivan e sua mão direita segurava a tesoura de cortar grama. Richard jogou o corpo de Simmons para trás e desferiu um chute na barriga de Edward fazendo com que o mesmo entrasse de volta para casa, Richard entrou também e trancou a porta com a chave que ainda se encontrava na fechadura.
    - Você me desobedeceu e contou para alguém sobre mim Ed! O que pretendia fazer? Matar-me com a ajuda daquele homem que agora se encontra morto e seu corpo apodrecendo na chuva?Gritou Richard.
    - Você não é Richard Sullivan, ele já morreu há anos não poderia estar vivo!
    Edward falou isso e sai correndo tentando ir para seu quarto pegar o revolver, mas Richard era rápido correu atrás dele e o agarrou pela gola da camisa e o jogou para cima da televisão que caiu no chão junto com Edward o mesmo pegou um vaso de alumino que ficava em cima da televisão e tentou bater em Richard com o vaso em sua mão esquerda, mas Richard foi mais ágil e esperto, pegou a tesoura e cortou a mão de Edward antes. Richard ficou olhando Edward se debater e gritar no chão por alguns segundo, então colocou o pé esquerdo sobre o ombro esquerdo de Edward e o pé direito sobre o ombro direito, ergueu a tesoura e olhou bem para o rosto suado e branco de Edward que fechou os olhos.
    - Sabe onde eu estava escondido esses dias Ed?No porão de sua casa!
    Antes que Edward pudesse falar qualquer coisa Richard desferiu um golpe com a tesoura na garganta de Edward.
    Passou algum tempo até Edward abrir seus olhos e acordar gritando:
    - Socorro!
    Quando abriu os olhos percebeu que estava deitado em uma cama de hospital, então um homem alto e branco falou com ele:
    - Se acalma Cliven você está tendo uma crise novamente!
    - Cliven?- Meu nome é Edward Gray!
    - Não! Você se chama Cliven lembra?-Edward é um personagem que você criou em sua mente depois do incidente em Portsmouth lembra?
    - Não me lembro à razão de estar nesse hospital!
    - Você teve uma crise nervosa e desmaiou quando foi preso.
    - Preso?
    - Você realmente não se lembra Cliven?-Você matou duas pessoas na cidade de Greenfield, você se passou por Richard Sullivan um antigo assassino da pequena cidade para cometer seus crimes!
    - Não pode ser!
    - Você trabalhava na biblioteca não é verdade?- Após você ler um livro sobre a história da cidade você descobriu o personagem Richard Sullivan um mito do horror para a cidade, achou que poderia se passar por ele em sua cabeça, de fato você reviveu muito bem o personagem.
    - Não!-Richard Sullivan me matou, eu estou sonhando, meu nome é Edward Gray!
    - Você é Cliven Gray! Edward é apenas uma criação da sua mente após o acidente em Portsmouth eu já te falei!
    O acidente em Portsmouth que o homem falava foi uma tragédia que aconteceu há trinta anos atrás quando Cliven Gray tinha sete anos de idade.
    Ele estava brincando com seu irmão de apenas cinco anos, por acaso Cliven achou uma espingarda no quarto do seu pai. Quando seu irmão entrou no quarto Cliven disparou a espingarda sem querer em seu irmão menor o matando. O pai de Cliven nunca o perdoou por isso e acabou suicidando-se quatro anos depois. Após esse acontecimento Cliven começou a apresentar distúrbios mentais e tendências homicidas.Com o passar dos anos Cliven se tornou cada vez mais violento, até que quando fez 19 anos matou um casal em Portsmouth, anos depois se mudou para Suécia sem ser descoberto. Cliven tinha ainda em seu cérebro um lado inocente, lado criança que ele mesmo chamava pelo nome Edward Gray. Edward Gray era a parte inocente de Cliven que se perdeu quando matou seu irmão, mas que voltava às vezes na mente de Cliven. Quando Cliven começou a trabalhar na biblioteca em Greenfield descobriu Richard Sullivan em um dos livros sobre a história da cidade, então começou a achar que ele poderia ser Richard Sullivan e então matou a Senhorita Beltmore e Simmons se passando por Sullivan. Após ser preso Cliven desmaiou e inconscientemente assistiu a seus assassinatos cometidos como Richard Sullivan, mas desta vez ele assistiu a esses crimes como um telespectador, na verdade assistiu com seu lado Edward Gray.
    Cliven foi condenado à cadeira elétrica cinco anos depois. Já Richard Sullivan, o verdadeiro, aquele que assombrou Greenfield nos anos 40 nunca mais foi visto desde o incêndio na serraria. Porem seu nome foi visto 50 anos mais tarde por um belga que visitava um cemitério em Bruxelas. Era um tumulo onde estava escrito Richard Sullivan: nascido em 1805, morto em 1845.

    Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

    VÉU (Relato)


    Por César Vincenzo T. Lopes

    Numa noite quente de sábado,com nuvens cobrindo o luar e as estrelas,poucos carros passando na frente do prédio,ninguém além de Vinicius em casa, a calma daquele dia não assustava ele.
    Deitado no sofá da sala vendo televisão,nada poderia incomodar Vinicius ,era uma noite perfeita para ele que já estava cansado dos dias de aula.
    A única coisa que queria fazer era ficar vendo T.V a noite toda.
    Não estava com nem um pouco de sono,pois havia dormido a tarde inteira,sabia que sua mãe ia dormir fora,pois vira ela levando roupas para dormir fora,seus irmãos não poderiam atormenta-lo,pois foram dormir na casa da tia deles.Vinicius sabia que nada iria impedi-lo de fazer o que quisesse em casa.
    Vendo um programa na televisão que ele havia esperado quase 1 mês para ver,logo sua atenção estava totalmente voltada á T.V,nada poderia distraí-lo.
    já quase 00:00 ouviu uma fungada vinda de algum lugar perto do sofá,desviou sua visão da televisão e nada viu logo ele pensou: “deve ser alguém passando no corredor do prédio”.
    20 minutos depois ouviu novamente a fungada e decidiu não olhar.
    Alguns minutos depois o programa terminou, ele olho pra trás e viu alguém sentado no outro sofá de sua sala,seu olhar ficou petrificado por alguns segundos fitando a figura que estava lá sentada,depois sentiu suas pernas queimando e seu coração começou a bater muito rápido,a figura se levantou do outro sofá,e Vinicius se levantou do seu sofá preparando sua fuga da sala,quando suas pernas se esticaram totalmente sua visão ficou negra como se tivessem colocado um véu nos seus olhos,não pensou muito, correu até a varanda muito rápido não dando tempo para parar ao chegar a sacada ,sua cintura bateu nela e por reflexo se inclinou para o lado de fora, e seu corpo saiu para fora da varanda.
    Vinicius caiu de cabeça no portão do prédio,mas seu corpo caiu para o lado de fora,seu cérebro saiu da caixa cranial dele se espalhando por toda a rua o que o fez morrer instantaneamente.quando o socorro chegou só restava recolher os pedaços da cabeça de Vinicius para a biopsia.
    Ninguém acreditou quando nos jornais do domingo as manchetes diziam
    “adolescente drogado se suicida”

    A CASA DOS HORRORES (Conto)



    Autor: Orfeu Brocco

    Eu desembarquei do ônibus e o frio estava a arrepiar minha pele debaixo da jaqueta de couro, senti uma nostalgia ferrenha dominar meu coração,chamei por meu amigo Atanael que me esperava,ele não demorou, a moto estacionou e eu subi conversando pouco sentindo o vento cortar minha face.
    Durante a trajetória comecei a reparar por todos aqueles lugares já conhecidos, muitas lembranças vieram a tona,até que a moto chegou ao nosso destino.
    Fiquei em um dos quartos,deixei minhas coisas na mochila e acendi um cigarro me perguntando : “Como será que estão todos ?”,o vento bateu nas portas levadiças fazendo-as tremerem,senti um calafrio e me deitei.
    O sono demorou para vir,logo que adormeci comecei a sonhar.
    Estava andando pelos cômodos de minha antiga casa,as paredes cheias de lodo pareciam respirar,o chão estava sujo e molhado,havia um cheiro forte no ar,era como se eu estivesse dentro de um esgoto.
    Enquanto eu andava os corredores iam sumindo,até que cheguei ao meu antigo quarto,ao entrar a porta desapareceu haviam muitos símbolos e frases incompreensíveis riscadas na parede, um imenso espelho jazia na parede, brinquedos jogados no chão pareciam terem sido esmagados,o fedor aumentava cada vez mais, meu estomago começou a embrulhar, me encostei na parede para evitar que caísse,mas sangue começou a molhar minhas mãos e quando fui perceber as paredes haviam se tornado revestidas de carcaças humanas,somente o espelho continuava no mesmo lugar,eu me aproximei dele e apoiei minhas mãos sujas tentando buscar uma saída, o cheiro estava insuportável,e quando tentei usar as mãos para tampar o nariz, o reflexo no espelho começou a rir e me perguntou:
    ____O que foi Humbert?Não gostou de rever nossa velha casa?___eu comecei a vomitar sobre o espelho e uma mão invisível me empurrou contra as paredes e levitou meu corpo o prendendo no teto,eu tentei gritar, mas cada vez que eu abria minha boca,carne podre saia de minha garganta e caia no chão,as paredes começaram a me engolir e quando apenas sobrava uma das mãos para fora eu ouvi meu relexo murmurar.___O bom filho à casa retorna, afinal você pertence a esse lugar não é mesmo?___E então a parede me engoliu.
    Acordei desesperado, Atanael estava em minha frente,eu estava enrolado nos cobertores, ele acendeu a luz e disse:
    ___Boa tarde Bela Adormecida!___ele sorriu para mim.
    ___Boa tarde Atanael !Nossa dormi tanto assim?___fiquei sem graça e nem sai debaixo dos cobertores, estava muito frio.
    Conversamos um pouco e ele saiu,iria comprar algo para comermos,enrolei um pouco me revirando na cama,mas quando saí me assustei,pois minhas mãos estavam repletas de sangue.
    Fui tomar banho e após passar o susto decidi andar pelo velho bairro, poucas coisas haviam mudado,o velho trailer onde se faziam lanches estava no mesmo lugar, os mesmos bêbados decadentes aos quais eu prestava minha solidariedade, enchendo a cara junto com eles,lógico, as mesmas casas,alguns rostos mais envelhecidos,enfim,não havia nada diferente que pudesse me impressionar.
    Encontrei velhos amigos pela rua e conversei rapidamente com eles,eu já tinha um destino a seguir e fui rever meu velho amigo Dannyel,ao chegar em sua casa o chamei,ele não estava,conversei um pouco com a irmã dele e fui embora,decidi que voltaria depois,não tenho muita paciência para esperar.

    Comprei um maço de cigarros do Paraguai e comecei a ter uma crise de risos lembrando de minha cunhada que dizia: “Nossa meu terror é ir novamente até a cidade do Humbert e ficar sem meu Malboro,fumando veneno de rato!”, caminhei até a casa de Atanael e almocei,logo depois avisados pela avó de Dannyel,quatro amigos vieram ao meu encontro,Diego,Apolônio,Evandro e o próprio Dannyel.
    ___E aí cara!Quanto tempo em, finalmente lembrou-se dos seus amigos pobres da velha Humbertlândia!
    Vamos fazer agora uma pequena pausa neste relato para uma explicação:
    Não sou nenhum egocêntrico (isso foi a maior mentira que eu já contei), mas minha cidade não tem esse nome graças a meus fatos homéricos que a mancharam de orgulho (além do mais porque não fiz porra nenhuma),o nome dessa cidade se deve ao seu suposto fundador o alemão Humbert Von Gotterdan.
    Voltando ...
    ___Imagine se eu enriqueci!Sou um escritor fracassado,que está procurando ideias novas e tentando esfriar a cabeça!__eu disse a Apolônio,o eterno e inconsertável rapaz tímido.
    ___Nossa mas você sempre foi talentoso para escrever!__disse Dannyel.
    ___Diga isso para aqueles editores filhos da puta que não devem nem saber com qual mão se masturbam!___o riso foi geral e começamos a andar,descemos a rua contemplando o maravilhoso por-do-sol que não vemos nas grandes cidades como São Paulo (meu covil atualmente).
    Andamos pelo formoso bairro chamado Cidade Jardim e houve uma hora que nos cansamos e sentamos em um local onde haviam barras de ferro para treinar ginastica olímpica.
    ___Humbert você se lembra aquela vez da garota que tinha o dorso de cavalo?___perguntou Dannyel.
    Minha memória retrocedeu para muitos anos atrás quando avistamos aquele bizarro acontecimento.
    ___Claro que lembro,já tentei escrever sobre isso,mas sempre empaco, foi super bizarro.___respondi.
    ___Vou ser sincero,eu não acredito nisso não !__disse Evandro,eu não o conhecia muito bem,ou melhor,a verdade é que eu não o conhecia, mas simpatizei com ele desde o momento em que o conheci.
    ___Mas esse acontecimento é verdadeiro,Evandro!___disse para ele,que ficou sem graça,mas logo se recuperou.
    ___Nem eu acredito,acho que foi ilusão coletiva isso sim. Já que nunca ouvi sua versão Humbert,acho que você poderia nos contar.
    Fechei meus olhos e os acontecimentos vieram a tona.
    Em um dia qualquer em 1999,eu estava entediado,decidi andar,peguei minha bicicleta e saí sem rumo,andei pelo bairro todo,desci até a Cidade Jardim e parei para descansar em frente a um velho centro espirita que na época estava abandonado,chamado O Consolador.
    Avistei uma menina loira dentro do jardim,e comecei a observa-la,parecia alguem conhecido, mas eu não me lembro até hoje quem. Ela devia ter quatro anos de idade e o que me chamou atenção foi seu rosto triste enquanto cutucava um formigueiro com um pequeno galho. Pensei em conversar com ela e tentar anima-la, mas antes que fizesse isso,uma sombra surgiu atrás de um portão (que era a entrada para a casa onde as pessoas estudavam o evangelho),eu observei aquela forma humana toda negra parecida com uma mulher de cabelos curtos,era semelhante a uma sombra viva, ela chamou pela menina,não consegui escutar o nome, mas a menina saiu do jardim e atravessou o portão,como se fosse um fantasma. Naquele momento eu fiquei assustado e saí dali.
    Dois anos depois,Dannyel,Diego e eu estávamos próximos do lugar,contei a eles o acontecimento,Dannyel muito curioso decidiu passar lá,fomos os três andamos e ficamos exatamente onde eu estava dois anos antes,havia uma outra menina no mesmo lugar,cabelos castanhos,lisos e longos,parecia muito com a irmã de Diego, estava a jogar agua nas flores,tinha a mesma idade da outra,ficamos observando quase hipnotizados,e de repente quando a agua molhou o robe rosa que ela vestia,este subiu como se houvesse um vento forte e nós três avistamos da cintura para baixo o corpo de um cavalo. Ficamos estarrecidos os três,vimos a mesma coisa os três não poderia ser uma ilusão,quando estávamos para sair dali a menina se jogou ao chão e em seu lugar surgiu um cavalo,quando estávamos perto da esquina eu avistei aquela sombra novamente.
    ___E foi isso que aconteceu.__contei-lhes os acontecimentos,todos se calaram por um instante,mas depois voltamos a andar,e eu fingi ter esquecido.
    Passamos em um bar,iriamos jogar bilhar,mas avistei um conhecido que tinha a incrível façanha de ser desagradável por pedir dinheiro e não largar do meu pé,ele estava usando uma cadeira de rodas e suas pernas haviam sido amputadas, ele veio até a mim,e me cumprimentou.
    ___Olá Humbert,como você está?___ele parecia meio tremulo.
    ___Estou bem e você?Que tem feito?
    ___Estou bem,não ando fazendo nada,afinal foram-se as pernas, mas me diga..tem um real aí para contribuir com minha cachacinha de sempre?
    ___Vixe,nem tenho. ___suspirei.___Esse filho da puta não muda nunca,pensei em meu íntimo. Ele agradeceu e desceu a rua empurrando a cadeira de rodas.
    Fomos para outro bar,e compramos as fichas para jogar o bilhar,acho que estava incrivelmente sortudo, joguei até bem,haviam algumas pessoas desconhecidas no bar,atônitas com minha presença,pensei ser por causa de minha roupa preta, que costumo usar,em Humbertlândia isso não é comum, mas um cara veio até mim e falou:
    ___Ei foi você que espancou o Alex com o taco outro dia no bar da pracinha não é?
    ___Não fui eu, mas há algum problema?___fiquei um pouco nervoso,mas me controlei, ele parecia querer encrenca.
    ___Não, não, deixa pra lá,curte o jogo aí,ninguém vai te incomodar!___o rapaz saiu e voltei a jogar.
    Bebemos uma cerveja,acompanhados pelo Roberto Carlos que cantava na jukebox, terrível situação,pensei ao beber a cerveja, logo mais eles me acompanharam até onde eu estava hospedado e no caminho perguntei:
    ___Ei o que aconteceu com as pernas do Chico? ___Apolônio fez uma cara sarcástica.
    ___Você nem acredita...após você e sua família se mudarem da casa que vocês venderam, ele foi tentar roubar um cara que vivia lá, e quando ia pular o muro caiu sobre umas barras de ferro que estavam fincadas no chão. Elas atravessaram as pernas dele,e ai não tiveram outra saída senão amputar.__explicou Apolônio.
    De repente me veio uma visão em pensamento, um homem magro e franzino vestido com uma jardineira e usando um chapéu longo de palha surpreendendo Chico a noite no quintal,bateu com o cabo da enxada na cabeça de Chico em seguida riu e amputou as pernas dele com a enxada. Fiquei meio tonto e antes de entrar em casa Evandro disse:
    ___Outros dizem que o cara que morava lá que cortou as pernas dele.
    Ao destrancar o portão eu entrei na casa,estava escuro,as coisas pareciam ter uma forma assustadora a noite,assim acontece em todas cidade do interior,ao menos parece,olhei para o lado e pensei ter visto eu mesmo encostado na parede com as mãos no bolso sorrindo. Balancei a cabeça e destranquei a porta da casa,após assistir o intercine fui dormir. Novamente tive um pesadelo.
    Francisco estava bebendo uma garrafa de 51 e passava em frente a minha antiga casa,de repente o velho portão de aço abriu sozinho e a cadeira de rodas moveu-se para o lado e começou a deslizar para dentro da casa,ele tentou voltar para fora,mas não conseguiu,o portão se fechou e a cadeira deslizou para um corredor escuro,e Francisco começou a gritar.
    Acordei,mais uma vez,eram duas horas da tarde, a mãe de Atanael esquentou a comida,conversamos um pouco sobre São Paulo,a violência,entre outros assuntos vistos em programas policiais, depois disso me despedi e peguei a bicicleta emprestada. Saí para visitar outras pessoas das quais sentia saudade.
    Fui até a casa de meu amigo e parceiro em horas intermináveis de RPG, chamei por ele,que saiu e ao me ver abraçou-me,começamos a conversar e relembrar os velhos tempos. Até que Helenice, a mãe dele apareceu e me cumprimentou.
    ___Lembra do Humbert,mãe ?___perguntou o velho Zé.
    ___ Claro que lembro,sabe o que é engraçado meu filho?__ela me perguntou.
    ___O que ?___perguntei-lhe,um pouco curioso.
    ___ As vezes tenho a impressão de vê-lo andando por essas ruas...__ela entrou em casa e me convidou para voltar e comer pão de queijo.
    Achei estranho o comentário,mas não liguei e continuei a conversar com Zé e contando-lhe novidades,ouvindo ele falar sobre seus “rolos” com as garotas dali.
    ___Zé meu velho vou indo nessa, nos vemos por aí,vou visitar a Fabiana!__ abracei-o e subi na bicicleta.
    ___Tá certo,apareça para jogarmos uma partida e cuidado com o pai dela,ele continua um porre.__rimos e eu parti.
    Ah se ele soubesse como peguei raiva de RPG e seus jogadores em São Paulo que levavam seus devaneios do jogo para realidade, guiei a bicicleta até a casa de Fabiana, ao chegar lá,milagrosamente o velho chato não estava e ela me convidou para entrar e tomar um café.
    Pausa para um comentário: O cafezinho mineiro é simplesmente delicioso e envolvente.
    ___Como você está diferente,quase não o reconheci...e aí como você está meu amigo?__perguntou a linda garota branca e seus olhos verdes.
    Ouvi-la dizer “amigo” me incomodava, mas eu deixei pra lá, afinal após tantos anos não existia mais nada entre nós,apenas uma lembrança de algo distante e talvez pouco infantil, mas aqueles lábios rosas me faziam voltar a anos no passado enquanto eu os beijava loucamente na casa de alguma amiga em um quarto pequeno e escuro,enquanto rolava uma festa.
    ___Estou bem,linda. Saudades de você!E aí o que você tem feito?__respondi feliz.
    ___Somente trabalhando e aturando um namorado ciumento,não muito diferente de você.___ela riu e seus olhos verdes encontraram os meus. Sempre charmosa.
    ___Sua exagerada!Nem sou tão ciumento,vai!Apenas preservo o que amo!___um flerte inevitável começou a surgir.
    ___Você nunca muda em,sempre conquistador e ótimo com as palavras!E aí terminou seus livros?__ela perguntou serrando ao meio minha tentativa de flerte.
    ___Bem sou um escritor decadente,fumante e quase-alcoólatra!Mas vou indo bem,escrevo estórias de terror,mas poemas ainda são prioridades,eu escrevi “Gaveta Empoeirada de Emoções”,fique com este exemplar que trouxe para você. Há um poema para você aí. __no meu intimo eu ri,ohohooh, e o flerte recomeça. Adoro isso.
    ___Jura? Deixe-me ler!__abri o livro na página,ela leu,sorriu e me deu um abraço, que poderia ter se tornado um beijo,a boca dela estava perto da minha, até tive vontade de tentar algo, mas isso seria uma atitude muito filho da puta.
    ___Amei,você tem que assinar pra mim na página da dedicatória!As vezes me pergunto porque não estou hoje com você!__ela disse.
    ___Eu também. __e uma risadinha maliciosa escapou,conversamos bastante e fui embora, antes que o velho chato voltasse ou o namorado pé no saco!
    Quando descia a rua dos periquitos,um garotinho loiro e branquinho surgiu de repente na minha frente,eu o atropelei e ambos caímos,a bicicleta foi parar na calçada e eu ralei meus dois braços e o ombro.
    ___Izvinite...___disse o garotinho de aparentemente sete anos ao levantar.
    ___Nossa ele falou desculpa em russo,pensei. E perguntei a ele se falava russo.
    __Falo e melhor que você.___ele riu e aqueles olhos azuis me assustaram.
    ___Você se machucou?___perguntei preocupado mas ainda assustado com aquela face estranha.
    ___Não,mas você que vai se machucar se continuar andando assim por ai.__ele se despediu e foi embora.
    Fui para casa e tomei um banho,apos isso recebi a ligação de uma amiga chamada Camila,e marquei de vê-la depois. Fui ao encontro de meus três amigos e fomos jantar em um restaurante.
    ___Que braço ralado é esse rapaz?___perguntou Dannyel.
    ___Um filho da puta de um moleque russo que entrou na frente da bicicleta e me derrubou.___respondi.
    ___Ah não,outro pivete russo?___disse Apolônio.
    1.___Como assim outro?___perguntei.
    2.___Tinha um quer morava lá na rua dos cisnes,era uma peste,mas ele sumiu,não me lembro que aconteceu e a família se mudou.___disse Apolônio.
    Após jantar,passamos em frente minha antiga casa,muitas imagens vieram na minha cabeça,risadas ecoaram em minha mente,e comecei a ver diversas crianças estripadas na antiga sala de minha casa,vi o rosto de Francisco e o rosto do garotinho russo rindo com os movimentos acelerados. Minha visão ficou negra e eu caí.
    ___O que foi Humbert?__me perguntaram.
    ___Nada, preciso ir,descansar...até mais galera.
    Acendi um cigarro e me despedi fui encontrar Camila, Núbia e Suelen,após falarmos muita besteira e nos divertir bastante,fui para casa de Atanael.
    Ao entrar uma força invisível me empurrou,caí sentado no chão e senti um soco no rosto que jogou na parede uma mão invisível parecia m erguer,e o garotinho russo apareceu.
    ___Olá,não acha que tá na hora de voltar pra casa?___ele riu,uma mão invisível parecia me estrangular,mas tive forças para mover minha perna e acertar o menino.
    Ele caiu ao chão no mesmo momento que eu,sua boca sangrava e ele se levantou primeiro e tinha uma faca na mão,ele tentou me cortar,mas me esquivei e o peguei pelo pescoço começando a enforca-lo,ele ainda tentou me furar mas tirei a faca da mão dele e o bati na parede umas três vezes.
    ___Me solta seu filho da puta!___eu o joguei no chão,de repente o menino se levantou,e estava nu,ele pegou a faca.___Você é igual ao meu pai!Maldito! ___ele furou a perna com a faca,em seguida rasgou o próprio peito,chorando e rindo,tentei impedi-lo,mas ele desapareceu e reapareceu do outro lado,e começou a cortar o rosto,o sangue jorrava em minha roupa,ele começou a cortar o próprio rosto,eu estava sem voz não conseguia gritar,ele furou os dois olhos e enquanto o sangue jorrava lambeu a faca cheia de sangue e sorriu.___Dessa vez é em sua homenagem não dele!
    Eu me desesperei e caí sentado no chão,ele desapareceu, mas o sangue continuava em minhas roupas.
    Entrei tirei a roupa e a queimei no quintal,tomei um banho e depois fui até o PC que ficava na sala, e comecei a pesquisar na internet e através do site de um jornal local,entre as matérias antigas eu achei uma que batia com o que eu procurava.
    “Garoto russo desaparecido é encontrado morto,suspeita de suicídio.”
    A foto do menino era idêntica ao que havia me atacado a poucos minutos,seu nome era Nikolai Petrovich Volkov.
    De repente recebi um telefonema,era Camila me informando que Fabiana havia desaparecido,fiquei desesperado e fui encontra-la junto das amigas em frente a casa dela.
    Ao chegar andamos um pouco para nos distrair e passamos em frente a uma construção de uma casa enorme,e todos nós ouvimos alguém gritar meu nome.
    ___Essa voz é da Fabiana,vamos lá ajuda-la!
    Ao entrarmos na construção inacabada,começamos a procurar por ela,Núbia e Suélen queria que nos separássemos para procura-la,mas eu as convenci a ficarmos juntos que era mais seguro.
    De repente um ser deformado surgiu e nos atacou,ele tinha em suas mãos um tesoura de jardineiro e quando tentou cortar o pescoço de Núbia, Camila a puxou conseguindo salva-la, todas começaram a gritar,e gritar por Fabiana o homem riu e disse que logo iriamos encontra-la, eu avancei sobre ele e ambos rolamos pelo chão, ele tentou pegar a tesoura que havia caído,mas eu consegui o deter,ele começou a me enforcar com uma mão, e tirou um bisturi do bolso e quando ia me cortar percebeu que uma delas pegou a tesoura e me soltou,indo na direção dela, Suélen e Camila desciam as escadas correndo e ouvi seus gritos,rezei para o pior não ter acontecido.
    ___Então a garotinha acha que sabe usar a tesoura !!!Vem me contar lindinha!__ele avançou para cima dela e a derrubou quando ia fura-la com o bisturi eu consegui impedir o chutando,virando-se para o meu lado o ser deformado veio até a mim e quando ele ia me cortar consegui segurar o braço dele e o derrubar,mas o homem se levantou e me chutou,senti uma dor no estomago mas na hora em que ele ia enfiar o bisturi em meus pescoço Núbia conseguiu reaver a tesoura e num rápido impeto conseguiu cortar a mão dele,o sangue começou a jorrar,ele segurou o pulso e gritou,o bisturi estava no chão eu o peguei e cravei no estomago dele, mas o homem correu e saltou por uma janela desaparecendo.
    Ouvi sirenes e ajudei Núbia a sair da casa,policiais entraram e ao revistar a construção não acharam ninguém, eles nos acusaram de entrar sem necessidade num lugar perigoso a noite, mas dissemos ter ouvido os gritos de uma amiga desaparecida.
    Após tomar o depoimento de todos nós,levaram as garotas para casa numa viatura e em outra levaram me até a casa de Atanael.
    Ele estava preocupado,os policiais contaram o acontecido,eu tomei um banho e cai na cama,dormi rapidamente,sem pesadelos a me atormentar.
    Acordei no dia seguinte e o tranquilizei dizendo que estava bem,peguei a bicicleta e guiei até uma igreja em outro bairro,ao guardar a bicicleta sentei me em um dos bancos e ali fique,rezei um pouco,então o padre se aproximou de mim e ao me ver chorar começou a conversar comigo.
    ___Acho que estou sendo perseguido por uma coisa não-natural,padre.___falei para ele.
    ___Seja o que for não pode contra Deus e a fé que há em seu coração!__disse o padre sentado ao meu lado.
    Após conversar bastante comigo,eu me levantei e agradeci.
    ___Já sei o que fazer,eu irei até a fonte do problema.__disse confiante.
    ___Nada poderá te abalar filho. Acredite e você poderá mudar tudo. Fique com isso.___ele me deu um rosário e me desejou boa sorte,eu agradeci e após caminhar para fora da igreja acenei um tchau e sorri.
    Ao montar na bicicleta, guiei até o bairro onde ficava minha antiga casa ao observa-la de longe,ouvi uma voz feminina a me chamar,e a face de uma mulher refletida no vidro da janela sorriu para mim.
    Fui até a casa de Dannyel e fiquei até anoitecer,deixei a bicicleta por lá e disse que ia sair para dar uma voltar sozinho,ele me entendeu e disse que ia esperar meu retorno.
    Caminhei lentamente e vi que todos estavam em suas casas e pensei: “É hora de retornar a minha!”, ao entrar na rua da antiga casa eu ouvi sinos tocarem e caminhei até onde morava.
    Quando olhei para a casa uma luz se acendeu na sala e portão de ferro rangeu e abriu sozinho,uma voz sussurrou “Entre...seja bem vindo!”,após entrar o portão se fechou e a luz se apagou.
    Caminhei pelo corredor escuro,e vi que não havia mais a porta da sala por onde entrava a anos atrás,continuei seguindo o corredor e de repente tropecei em algo e cai ao olhar para trás vi a cadeira de rodas de Chico toda ensanguentada,a roda ainda girava,me levantei e tirei o rosário do bolso e o enrolei nas mãos.
    De repente pelo corredor eu avistei vários corpos infantis estirados as paredes estavam sujas de sangue e com órgãos internos grudados,fedia bastante ,mas continuei andando e cheguei até o quintal.
    Vi a velha goiabeira onde há muito tempo eu passava minhas tardes,haviam várias cabeças penduradas,ao olhar vi a cabeça de Francisco e de outras pessoas sussurrando “Humbert...”,ao me aproximar eu toquei na cabeça decapitada de Francisco.
    ____Meu Deus...___de repente as cabeças começaram a vomitar sobre mim eu me afastei e senti alguem atrás de mim,comecei a rezar apertando o rosário de metal, e ao me virar vi um homem de aproximadamente dois metros com tridente na mãos,ele vestia roupas de jardineiro,que estavam sujas de sangue e usava um enorme chapéu de palha.
    ___Passou longe senhor Humbert.___ao ouvir seu sotaque familiar virei e olhei para ele,então ouvi sua risada, ele acertou o cabo do tridente em meu nariz e o quebrou eu caí com as mãos no nariz ensaguentado e ele tentou me atravessar com o tridente,por sorte errou, me levantei.
    ___Quem disse que era procê levantar seu bostinha?Senta de novo!__e me acertou novamente com o cabo na perna me derrubando,ao cair ele tentou me acertar novamente mas o detive com o braço,ele bravejou mas eu me levantei e acertei um murro em seu estomago,ele chutou meu ombro e veio para cima com o tridente,por sorte me desviei e ele não me acertou,quando segurei no tridente para toma-lo ele me levantou e jogou contra uma das paredes feitas de ossos humanos,senti uma dor terrível e escorreguei até o chão,quando ele ia arrancar minha cabeça me desviei e ele prendeu o tridente na parede,eu apertei o rosário e de repente uma força me veio,consegui me levantar e enquanto ele tentava soltar o tridente em meio aos ossos,eu dei um murro no rosto dele com a mão que estava envolvida o rosário,ele caiu no chão,e sua face onde acertei começou a apodrecer e vermes caiam , antes que ele se levantasse o atingi novamente no rosto e uma parte dele ficou grudado no rosário,ele gritou e quando foi tentar se levantar vi um sangue negro escorrer de sua face deformada pelos golpes,o rosto apodrecido sem expressão olhou para mim.
    ___Maldito!Vou usa-lo como adubo !___eu arranquei o tridente que estava preso e quando ele ergueu o rosto novamente eu atravessei a cabeça dele com as pontas, ele caiu no chão,sua cabeça dividiu-se em duas como uma maçã podre, num acesso de fúria eu despedacei todo o corpo com o tridente,até sobrarem os restos e estes serem devorados pelos vermes em poucos segundos.
    ___Agora você vai adubar o inferno seu infeliz!___Caminhei até a porta dos fundos e ela se abriu ao entrar, a porta se fechou e desapareceu, eu segui caminhando e rezava para achar Fabiana,ao caminhar pela cozinha a geladeira se abriu e eu vi partes humanas dentro,me afastei com náuseas,e de repente do ralo da pia passou a jorrar sangue que molhou todo meu corpo.
    Corpos infantis guardados dentro do armário me apontaram a direção a seguir,saí da cozinha e as paredes cheias de excremento e restos mortais iam desaparecendo a medida que ficavam para trás.
    Ao chegar na sala Nikolai me esperava.
    ___Afaste-se Nikolai não quero feri-lo!___minhas mãos que seguravam o tridente tremiam.
    ___Pra que se importar já morri mesmo!___ele riu.___Você mente, é igual ao meu pai que só me machucava e fazia coisas feias!___ele chorou e meu corpo foi lançado contra a parede por uma força invisível, eu reuni forças e consegui mover os braços o atravessando com o tridente, ele arrancou o tridente da barriga e o desfez em pó.___Você vai morrer agora!Igual ao meu pai!
    Com as mãos nuas ele perfurou meu peito e eu vi uma mancha negra começar a se espalhar pelo meu corpo,uma dor insuportável me tomava mas lutando contra ela gritei:
    ___Você não precisa fazer isso!
    ___Você não precisava ter me ferido!___ele disse e afundou mais as mãos em meu peito.
    ___Nikolai você pode ser feliz!Você não precisa machucar ninguém!___nesse instante ele retirou as mãos que atravessavam meu peito,a mancha negra desapareceu e não havia mais um ferimento. Suas lágrimas rolaram pela face.
    ___Como?Como posso ser feliz depois de tudo?___ele se ajoelhou e uma faca surgiu em sua mão.
    ___Não faça isso fique com quem te ama!___abaixei até ele,mas ele me afastou com a faca.
    ____A pessoa que eu amo permitiu meu pai abusar de mim!A minha própria mãe!___ele gritou ,mas antes que se cortasse eu tomei a faca de suas mãos e joguei no chão.
    ____Ela sentiu tanta dor quanto você por não poder fazer nada contra aquele monstro, mas ele morreu não pode ameaçar,nem ela ,nem você. Você é mais forte que ele,você o derrotou,você está livre.
    ___Eu estou?___balbuciou o menino.
    ___Sim,vá embora agora encontre sua mãe e fique com ela,perdoe-a. ___ele chorou e me abraçou,lágrimas caíram de meus olhos, e num impeto beijei a testa dele, ele sussurrou obrigado em russo,acenou adeus e foi desaparecendo pouco a pouco.
    A sala voltou ao normal, mas o restante continuava tomado pela maldade e pela podridão.
    ___Já sei onde devo ir.___caminhei até a porta de meu quarto e ela se abriu ergui o rosto e entrei apertando o rosário.
    A porta se fechou,e ao olhar para frente vi Fabiana presa nas paredes repletas de sangue e cadáveres,caminhei até ela e tentei lhe ajudar mas metade do seu corpo estavam ainda dentro da parede.
    Quando tentei ajuda-la novamente surgiu de repente chamas que me afastaram dela, e nos separaram um circulo de fogo impedia que eu andasse pelo quarto e de repente vi uma pessoa surgir,era idêntico a mim
    ___Surpreso?Em saber que o mal a ameaçar sua vida tem o seu rosto?
    Meus olhos não acreditam,ele fez um sinal com as mãos e o fogo em volta de mim se expandiu e Fabiana desapareceu, reaparecendo em seguida presa ao teto.
    ___Será que você pode ajudar sua amiga antes que o fogo chegue até lá?__ele riu,eu me enfureci e tentei golpeá-lo usando a mão que envolvia o rosário. Mas ele a segurou.___Esse truque não vai funcionar comigo.___Ao me soltar ele gesticulou a mão e o rosário começou a sangrar e se desfez espalhando-se pelo quarto.
    ___Maldito!Eu não sei quem você é ou o que é!Mas levo você junto comigo!__tentei derruba-lo mas ele desfez em uma fumaça negra, e ao perceber estava atrás de mim ele começou a levitar meu corpo e o jogou contra o teto ao lado de Fabiana.
    ___Vamos brincar de esmagar o babaca!___e cada vez que movia as mãos meu corpo era jogado contra o chão e o teto,sucessivamente.
    Meu corpo caiu novamente ao chão,e quando me levantei ele segurou minhas mãos impedindo-me de fazer qualquer coisa.
    ___Aproveite agora essa sessão de acupuntura gratuita!___espinhos começaram a sair pela minha pele jorrando sangue para todos os lados,comecei a gritar até que pela minha boca começou a sair terra e espinhos começavam a sair pelo rosto. Até que eu não conseguia mais me mover e estava quase morto.___Qual sua ultima palavra?___naquele instante consegui falar,a terra não mais me sufocava.
    ___Por que tudo isso?
    ___Porque dessa vez eu faço o jogo.__ele respondeu.___Melhor fazer a próxima você só tem mais 3 minutos de sofrimento e vida até se tornar parte da casa.
    ___Quem é você?___o sangue escorria pela minha boca e molhava o chão.
    ___Eu sou uma criatura de seus jogos,que ganhou vida própria,eu faço minhas regras.___ele abaixou e chegou perto de meu ouvido.___Como é morrer pelas mãos do que você criou?__e sua risada doentia ecoou.
    ___Se você me criou eu posso descria-lo.___e comecei a rir.__Adeus filhão!
    O corpo dele começou a tremer e ele caiu,eu me levantei e não havia mais ferimentos em meu corpo.
    ___Eu tomo as regras de volta e você acaba de ser descriado!
    ___Não!Não pode ser!___o corpo dele ficou preso ao chão. E ele não conseguia se levantar.
    ___Você já criou problemas demais!Adeus!
    O corpo dele começou a pegar fogo,ele levitou e grudou em uma das paredes.
    ___Como você se sente sendo devorado pelo seu lar?___a parede então começou a suga-lo e mastigou cada pedaço até não sobrar mais nada.
    Naquele instante Fabiana ia cair, corri e consegui segura-la antes que atingisse o chão,o fogo aumentou e eu comecei a correr amparando-a até achar a porta da da sala que havia ressurgido e escapamos daquele inferno.
    Ao chegar fora da casa o portão estava trancado e não abriu,o pânico tomou conta de mim,será que eu morreria tomado pelas chamas?
    Uma luz se acendeu no poste e iluminou o portão que abriu sozinho,rapidamente corri para rua puxando Fabiana que estava desacordada. Ao colocar o corpo dela deitado na rua,eu olhei para a casa uma ultima vez e estava se desfazendo rapidamente engolida pelo fogo.

    Epílogo

    Os bombeiros chegaram junto da polícia,ao certo acionados por algum vizinho,após nos socorrer tentaram em vão apagar o fogo da casa,mas este parecia ser mais forte e a casa queimou até não restar nada.
    Em seu depoimento á policia Fabiana mencionou ter sido raptada por um maníaco, que era meu sósia,tentaram achar o corpo dele nos poucos destroços que sobraram,mas não havia nada,alegaram a hipótese que o cadáver havia sido vaporizado no incêndio.
    Apenas encontraram inteiro um rosário de metal,que foi me entregue pelos bombeiros,eu o beijei agradecendo e o enrolei nas mãos.
    Após Fabiana sair do hospital a visitei uma ultima vez,ela não se lembrava de nada desde o momento que estava dentro da casa,melhor assim, eu acho.
    Após pegar bicicleta na casa de Daniel eu tinha um ultimo lugar para ir antes de partir para São Paulo. Mas antes Dannyel me perguntou:
    ___Como você fez para sobreviver a tudo?E para lutar com o maníaco?
    Eu apenas mostrei o rosário, e ele sorriu,montei na bicicleta e guiei até o cemitério Bom Pastor e coloquei uma rosa na sepultura de um certo Nikolai Volkov.
    ___Descanse em paz.
    Voltei para a casa de Atanael,e arrumei as minhas coisas para voltar a São Paulo.
    ___E aí você ainda volta?__ele perguntou.
    ___Sim,um dia desses nos vemos por aqui.___respondi e o agradeci.
    Após subir na moto ele me deixou na rodoviária e partiu acenando. Após entrar na rodoviária e caminhar até a plataforma de embarque eu pensei:
    ___Droga nem me despedi dos meus amigos direito.
    Quando o ônibus estava prestes a sair eu olhei pela janela e vi,meus três amigos,juntos de Suélen,Núbia e Camila acenando e gritando adeus,eu apenas sorri e acenei também.
    O ônibus partiu,quando estava na estrada segurei o rosário e adormeci, finalmente estava voltando para casa.


    Sábado 28 de Julho de 2007 - 04:54